Quais os próximos passos da crise política que afeta Casares no São Paulo
Pressionado por denúncias e investigações, presidente do São Paulo enfrenta risco de impeachment e possível renúncia.
O São Paulo iniciou 2026 em meio a turbulências e tensão nos bastidores. A expectativa é grande em relação aos próximos movimentos do presidente Julio Casares diante da crise que abala o Morumbi. Pressionado por torcidas organizadas a renunciar, Casares também sofre pressão interna para deixar o cargo, numa tentativa de acalmar os ânimos do clube.
Nesta terça-feira, no mesmo dia em que veio à tona a investigação da Polícia Civil sobre 35 saques em dinheiro vivo das contas do clube, totalizando R$ 11 milhões, ocorre uma reunião do Conselho Consultivo, formado por ex-presidentes do clube e do Conselho Deliberativo. Entre eles está Carlos Miguel Aidar, que viveu situação semelhante há mais de uma década, quando presidiu o São Paulo.
Aidar foi acusado de desviar recursos do clube em 2015 e renunciou ao cargo após perder apoio e enfrentar forte pressão, evitando um processo de impeachment.
Há a possibilidade de o Conselho Consultivo recomendar a Casares o mesmo caminho tomado por Leco. Embora sem poder executivo, o grupo examina temas relevantes e emite pareceres, exercendo influência significativa sobre o Conselho Deliberativo, que atualmente analisa o pedido de impeachment protocolado por mais de 50 conselheiros.
Cabe ao presidente do Conselho Deliberativo, após apreciação do tema, convocar uma reunião extraordinária para que Casares possa se defender. Isso deve ocorrer até 22 de janeiro, quando se completam 30 dias do pedido de destituição.
Se o presidente Olten não tomar providências em 30 dias, seu vice, João Farias Júnior, terá 15 dias para convocar a reunião. Caso haja nova abstenção, o conselheiro signatário mais antigo do clube deverá assumir a convocação.
Se o processo for aceito, o impeachment segue para votação no Conselho, exigindo maioria qualificada: dois terços dos votos (171 dos 255 possíveis). Caso aprovado, o presidente é afastado provisoriamente.
Em até 30 dias após a votação, uma Assembleia Geral de sócios deverá ratificar a decisão do Conselho Deliberativo, sendo necessária maioria simples.
Se Julio Casares for destituído, o vice-presidente Harry Massis Junior assume a presidência até a eleição de 2026. No São Paulo, a escolha do presidente é indireta, feita pelos conselheiros.
Entenda a crise política no São Paulo
Com situação financeira delicada, o clube contava com uma coalizão forte sustentando a gestão de Casares. A saída de Carlos Belmonte enfraqueceu a administração, mas não impediu, por exemplo, que o ex-diretor aprovasse o orçamento para 2026.
A instabilidade aumentou após episódios recentes, como o vazamento de um áudio que revelou um suposto esquema clandestino de comercialização de camarote no MorumBis durante shows.
Mara Casares e Douglas Schawrtzmann, diretores envolvidos na gravação, afastaram-se dos cargos. O Ministério Público de São Paulo solicitou a abertura de inquérito policial, enquanto o clube instaurou sindicâncias interna e externa para apuração.
Simultaneamente, a Polícia Civil de São Paulo investiga diretores por supostos desvios de verbas em vendas de atletas.
Esses escândalos aumentaram a tensão na gestão e fortaleceram a oposição, que agora pressiona pelo afastamento de Casares e mira a eleição de 2026.