Polícia Civil apura saques de R$ 11 milhões das contas do São Paulo Futebol Clube
Entre 2021 e 2025, clube realizou 35 saques em dinheiro vivo; movimentações foram consideradas atípicas pelo Coaf.
A Polícia Civil está investigando a realização de 35 saques em dinheiro vivo das contas do São Paulo Futebol Clube, totalizando R$ 11 milhões, entre janeiro de 2021 e dezembro de 2025. A informação foi divulgada pelo portal Uol e confirmada pelo Estadão. Procurado, o clube afirmou possuir contabilidade e registros para pagamento de despesas operacionais, todos submetidos à auditoria.
“A movimentação financeira do clube é informada à Receita Federal. Não existem saques sem registro e a devida contabilização de quem deu origem aos gastos, inclusive com a documentação fiscal”, declarou o São Paulo em nota.
Segundo as investigações, 33 saques foram realizados no Banco Bradesco e dois no Banco Rendimento. As instituições financeiras classificaram as operações como atípicas, conforme relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
O fluxo anual das movimentações bancárias foi o seguinte:
- 2021: R$ 1,5 milhão (sete saques)
- 2022: R$ 1,2 milhão (seis saques)
- 2023: R$ 1,4 milhão (seis saques)
- 2024: R$ 5,2 milhões (11 saques)
- 2025: R$ 1,7 milhão (cinco saques)
De acordo com o Uol, o relatório aponta que, em 2021, os dois primeiros saques foram efetuados por um funcionário do clube. Posteriormente, o São Paulo contratou uma empresa de carro-forte para realizar as retiradas, procedimento utilizado em 28 das 35 operações.
Todos os saques ocorreram durante a gestão do presidente Julio Casares, que está em seu último ano de mandato. Até o momento, não há indícios que liguem diretamente os saques ao dirigente.
Em resposta, a defesa de Casares, representada pelos advogados Daniel Bialski e Bruno Borragine, afirmou que “todas as movimentações financeiras de Júlio, contidas nos relatórios do Coaf, possuem origem lícita e legítima, com lastro compatível com a evolução de sua capacidade financeira.”
Os advogados ressaltaram ainda que, antes de assumir a presidência do São Paulo, Casares ocupou cargos de alta direção na iniciativa privada, com remuneração compatível. A defesa acrescentou que a origem dos recursos será esclarecida durante a investigação, reforçando que ainda não teve acesso ao inquérito policial.
Esta não é a primeira vez que o São Paulo é alvo de investigações. Recentemente, o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) foi acionado para apurar a venda ilegal de ingressos em um camarote do MorumBis. O espaço, que não era comercializado oficialmente, foi cedido a uma intermediária, que cobrou judicialmente valores não repassados por terceiros, tornando o caso público.
A situação levou conselheiros opositores a cobrarem o Conselho Deliberativo pela discussão do afastamento de Casares. Um pedido de renúncia já havia sido feito anteriormente.
Paralelamente, o grupo Frente Democrática Em Defesa do São Paulo organiza o registro de uma notícia-fato junto ao MP-SP para investigar o caso. A Procuradoria já havia sido acionada por denúncia anônima sobre gestão temerária. Segundo apuração do Estadão, Casares não cogita renúncia ou afastamento do cargo.