Heróis e traidores: José María Morelos
Líder religioso e militar, Morelos consolidou as bases da independência mexicana e enfrentou tragédia ao ser executado por traição.
José María Morelos foi uma das figuras centrais no processo de independência do México, tornando-se um dos maiores símbolos da soberania nacional. Além de suas conquistas militares, foram suas ideias que consolidaram a noção de pátria mexicana e promoveram uma ruptura radical com a estrutura legal da monarquia espanhola.
Nascido em 30 de setembro de 1765, na cidade de Valladolid de Michoacán — hoje Morelia, em sua homenagem — Morelos dedicou seus primeiros anos ao estudo do latim, filosofia, ética e teologia. Em 1796, foi ordenado diácono em Valladolid e, em 1779, sacerdote.
Ao tomar conhecimento do movimento independentista iniciado por Miguel Hidalgo, decidiu unir-se à luta contra a Coroa Espanhola, tornando-se figura de destaque. Morelos promulgou decreto abolindo a escravidão e liderou a histórica resistência insurgente em Cuautla, em 1812, enfrentando o exército realista.
Em 14 de setembro de 1813, Morelos convocou o primeiro congresso independente, o Congresso de Chilpancingo, onde apresentou o documento "Sentimentos da Nação". Considerado um pilar da formação do México, o texto defende a liberdade da América do Norte e uma nação independente, governada por soberania popular e leis democráticas.
No entanto, como em muitas rebeliões pela independência, seu destino foi selado por uma reviravolta. Após julgamento civil e militar, Morelos foi condenado por 23 acusações, incluindo alta traição e sabotagem. Executado por fuzilamento nos arredores da Cidade do México, em 22 de dezembro de 1815, sua morte foi temida pelos inimigos como potencial estopim para o caos.