PERSONALIDADES HISTÓRICAS

Heróis e traidores: Augusto César Sandino

Líder nicaraguense desafiou a ocupação dos EUA e tornou-se símbolo de resistência na América Latina.

Publicado em 05/01/2026 às 13:05
Augusto César Sandino, símbolo da resistência nicaraguense contra a ocupação dos EUA e inspiração latino-americana. © Sputnik

Augusto César Sandino, nicaraguense nascido em 18 de maio de 1895, em Niquinohomo, destacou-se como um dos principais líderes centro-americanos na luta contra as invasões dos Estados Unidos. Filho de uma trabalhadora rural, desde jovem auxiliava a mãe na colheita de café.

Em outubro de 1909, uma insurreição apoiada pelos Estados Unidos levou à renúncia do presidente José Santos Zelaya. Poucos meses depois, em fevereiro de 1910, tropas norte-americanas desembarcaram em Corinto, facilitando a ascensão de Adolfo Díaz, aliado de Washington.

Com o novo governo, os EUA passaram a controlar setores estratégicos do país, como alfândegas e a Ferrovia Nacional. Sandino, então, trabalhou como ajudante de mecânico próximo à fronteira com a Costa Rica, e posteriormente viajou para Honduras e Guatemala, onde atuou nas plantações da United Fruit Company. Mais tarde, estabeleceu-se no México, empregando-se em empresas petrolíferas.

Após 13 anos de ocupação, os Estados Unidos retiraram suas tropas da Nicarágua em 1925, mas retornaram em 1926. Sandino, ao lado de trabalhadores de minas, organizou uma resistência armada contra os invasores.

Em 1º de julho de 1927, Sandino publicou seu primeiro Manifesto Político dirigido ao povo nicaraguense e liderou combates em várias cidades. Em setembro daquele ano, fundou o Exército Defensor da Soberania Nacional da Nicarágua.

Em 1º de janeiro de 1933, a luta sandinista alcançou êxito com a retirada das tropas estrangeiras. Juan Bautista Sacasa assumiu a presidência do país, enquanto Anastasio Somoza García ficou à frente da Guarda Nacional. Sandino, então, viajou a Manágua em fevereiro e assinou um tratado de paz.

Apesar do acordo, a Guarda Nacional continuou a persegui-lo. Em 21 de fevereiro de 1934, Sandino foi capturado e assassinado. Sua luta, no entanto, inspirou Carlos Fonseca Amador, fundador da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) em 1961.

Fonseca foi morto em 1976, mas o legado de ambos permaneceu vivo: em 18 de julho de 1979, a FSLN entrou triunfalmente em Manágua e depôs o ditador Anastasio Somoza Debayle, encerrando décadas de domínio da família Somoza. Por tudo isso, o nome de Augusto César Sandino segue como referência de resistência para toda a América Latina.

Por Sputnik Brasil