CIÊNCIA E TECNOLOGIA

'Preservar a função cerebral e eliminar doenças': o que a neurocirurgia moderna pode fazer

Publicado em 16/03/2025 às 08:03
© Foto / Unsplash / Robina Weermeijer

O primeiro na lista de órgãos humanos inexplorados é o cérebro, o que também complica seu tratamento. O presidente da Associação Russa de Neurocirurgia, Dmitry Usachev, explica ao site Nauchnaya Rossiya (Rússia Científica) quais as doenças do sistema nervoso central mais comuns, se são tratáveis e como preveni-las.

Até hoje, o cérebro humano continua sendo um mistério não completamente resolvido, diz Usachev, que também é diretor do Centro Nacional Burdenko de Pesquisa Médica em Neurocirurgia. Ele destaca a singularidade desse órgão, que controla todo o organismo e é responsável por todas as funções vitais, incluindo a respiração e a função cardíaca.

"O cérebro ocupa o primeiro lugar entre os outros órgãos em termos de coisas inexploradas, então os neurocirurgiões têm muito trabalho a fazer", enfatiza o especialista.
Dmitri Usachev, Centro Nacional Burdenko de Pesquisa Médica em Neurocirurgia, presidente da Associação de Neurocirurgia da Rússia
Dmitri Usachev, Centro Nacional Burdenko de Pesquisa Médica em Neurocirurgia, presidente da Associação de Neurocirurgia da Rússia

Quais as patologias que os neurocirurgiões encontram com mais frequência?

Devido à natureza específica do centro dirigido por Usachev, metade dos pacientes sofre de oncologia do sistema nervoso central: tumores primários, secundários e metastáticos. Entre outras doenças comuns, o acadêmico lista:

Além disso, a aterosclerose é "um dos principais inimigos da humanidade depois do câncer", observa o médico, acrescentando que ela é responsável por uma parcela significativa das cirurgias.

"Ela afeta todos os vasos sanguíneos: isso inclui as artérias carótidas, as artérias do coração, as extremidades inferiores e a aorta. Está entre os três maiores inimigos da humanidade", observou.

Nos últimos anos, o número de pacientes que necessitam de tratamento aumentou significativamente, diz Usachev sobre seu trabalho no centro médico. Isso se deve principalmente à maior disponibilidade e qualidade dos diagnósticos de doenças do sistema nervoso central, explicou.

"Antes, as pessoas ficavam doentes e morriam, às vezes por razões que não eram totalmente claras. Agora, que os diagnósticos estão sendo ativamente estabelecidos em todo o país, doenças que antes eram consideradas raras estão surgindo e agora são conhecidas por serem bem comuns", argumenta o neurocirurgião.

É possível detectar e prevenir doenças vasculares?

"As artérias carótidas são o espelho dos vasos sanguíneos de todo o corpo", enfatizou o neurocirurgião.

Continuando com o tema da aterosclerose, o médico ressalta que, entre os meios disponíveis para detectar patologias em estágio inicial, está o exame de ultrassom dos vasos do pescoço, e recomendou a realização de um check-up anual a partir dos 40 anos.

O problema das alterações nas principais artérias não é tão simples; o risco de sua ocorrência nem sempre pode ser completamente descartado, afirmou.

"Não é um problema unipolar. Genética, condições de vida, maus hábitos e condições alimentares desempenham um papel importante aqui", ressaltou Usachiov.

No entanto, um estilo de vida saudável, sem peculiaridades alimentares, mas também sem comer demais, ajudará a reduzir os riscos. "Tudo deve ser feito com moderação", acrescentou o especialista.

Segundo Usachiov, os principais fatores no desenvolvimento da aterosclerose são distúrbios do sistema de coagulação sanguínea e dos níveis de colesterol. Por isso, a partir de certa idade, é necessário monitorar esses índices. Existem medicamentos para mantê-los em níveis normais, indica o acadêmico.

Um tumor cerebral tem cura?

A terapia de tumores malignos está em constante evolução. Não há dúvidas de que essa doença é passível de tratamento, cuja eficácia está na complexidade das medidas adotadas, ressaltou o neurocirurgião.

"Envolve tratamento cirúrgico e verificação histológica do tumor em nível molecular. Opções de tratamento adicionais são então determinadas: radioterapia e quimioterapia", explicou.

Na medicina de pesquisa, a busca pelo tratamento ideal se concentra na genética molecular — moléculas de DNA e RNA sintetizadas de tal forma que fornecem medicamentos às células tumorais, as eliminando seletivamente, observou Usachiov.

"É claro que esse problema [de tumores cerebrais] existe, mas muitos pacientes podem ser ajudados", resumiu o especialista.

É impossível entender completamente como o cérebro funciona, mas a pesquisa está avançando no sentido de identificar o que pode e o que não pode ser eliminado, como limpar o cérebro "das coisas extras que aparecem de repente nele": vasos sanguíneos, tumores, lesões fúngicas ou parasitas, exemplificou.

"Nosso objetivo é maximizar a preservação da função cerebral e, ao mesmo tempo, eliminar a doença da forma mais radical possível", concluiu Usaciov.


Por Sputinik Brasil