CIÊNCIA E TECNOLOGIA

Tamanho não é documento nem no espaço: como os pequenos satélites podem ajudar humanos

Por Sputinik Brasil Publicado em 30/12/2024 às 17:15
© Sputnik / Guilherme Correia

Os pequenos satélites e espaçonaves evoluíram bastante desde a década de 1990, quando se tornou evidente que essas naves relativamente pequenas poderiam ser lançadas ao espaço acopladas, ou seja, junto com a carga útil principal, explica o Prof. Mikhail Ovchinnikov, membro da Academia Internacional de Astronáutica.

O surgimento do CubeSat – pequenos satélites cúbicos com cerca de 1 kg, que até mesmo estudantes podiam montar como parte de seus projetos – e os voos espaciais em grupo se tornaram marcos importantes no desenvolvimento de espaçonaves pequenas, contou Ovchinnikov à revista Scientific Russia.

Segundo ele, as pequenas espaçonaves/satélites podem ser divididas em três categorias principais.

Primeiro: constelações, um grupo de satélites que desempenha um único objetivo, mas com cada uma dessas naves sendo controlada individualmente.

Segundo: voo em formação, satélites que também realizam a mesma tarefa enquanto operam relativamente próximos uns dos outros, a distâncias que variam de 10 metros a 100 quilômetros.

Terceiro: enxame, que não possui orientação centralizada e “o voo de cada nave depende do que ela ‘sabe’ sobre seus vizinhos,” como colocou Ovchinnikov.

Não há uma resposta clara para a pergunta de qual método é mais eficaz, se uma única espaçonave grande ou um enxame de satélites, observou o professor.

Se for necessário realizar uma tarefa como a imagem detalhada da superfície da Terra, que exige um sistema óptico grande, uma espaçonave cara e pesada seria a escolha óbvia, explicou ele.

Por outro lado, implantar um enxame de satélites significa que uma falha de qualquer um dos satélites que o compõem resultaria em perdas financeiras relativamente pequenas, e substituí-lo seria uma tarefa relativamente barata.

Além disso, esses pequenos satélites defeituosos poderiam ser substituídos por modelos mais novos e atualizados, garantindo assim que o enxame continue se renovando e realizando seu objetivo de forma mais eficiente, acrescentou.

O baixo custo é uma das principais vantagens dos pequenos satélites, enfatizou Ovchinnikov, apontando que a missão CubeSat 12U para a Lua em 2023 custou apenas US$ 30 milhões (cerca de R$ 180 milhões).

Ele também mencionou que pesquisadores do Instituto de Matemática Aplicada Keldysh, onde ele lidera o departamento de Dinâmica de Sistemas Espaciais, propuseram recentemente lançar uma missão para Marte "em uma pequena espaçonave pesando apenas 92 kg".

As pequenas espaçonaves já estão sendo ativamente usadas para estudar asteroides, e nos próximos anos, afirmou ele, as engenhocas podem ter uma aplicação mais ampla em missões interplanetárias.