PF reforça suspeitas sobre operação da gestão da prefeitura de Maceió no Banco Master
Investigação da PF sobre caso semelhante em Cajamar aumenta pressão sobre aplicação de R$ 117 milhões do Iprev de Maceió no Banco Master
A nova fase das investigações da Polícia Federal sobre aplicações de recursos previdenciários no Banco Master reforçou questionamentos sobre a operação realizada pelo Instituto de Previdência dos Servidores de Maceió (Iprev) durante o período da gestão do ex-prefeito JHC (PSDB). O motivo é a semelhança entre o modelo investigado em São Paulo e a estrutura utilizada na capital alagoana para o transporte de R$ 117 milhões no banco.
Nesta quarta-feira (13), a PF deflagrou a Operação Off-Balance, que apura suspeitas de gestão temerária na aplicação de cerca de R$ 107 milhões do instituto previdenciário de Cajamar (SP) em letras financeiras de bancos privados, entre eles o Banco Master.
Um dos principais pontos de convergência entre os casos é a atuação da consultoria Crédito & Mercado, empresa que assessorou tanto o instituto paulista quanto o Iprev de Maceió nas operações financeiras.
A consultoria está no radar da Polícia Federal por sua participação na recomendação de aplicações milionárias com recursos de regimes próprios de previdência.
No caso de Maceió, documentos do próprio Iprev mostram que o CEO da empresa, Renan Calamia, participou da reunião da comissão de investimentos em 29 de novembro de 2023, quando apresentou o Banco Master como oportunidade de rentabilidade para o instituto.
Dois dias depois, o Iprev patrocinou investimento inicial de R$ 80 milhões no banco.
Em uma nova reunião, realizada em novembro de 2024, a mesma consultoria voltou a consultoria de ampliação das aplicações, com proposta de R$ 200 milhões em renda fixa e mais R$ 50 milhões em fundos imobiliários.
Ao todo, o instituto maceioense aplicou R$ 117 milhões em letras financeiras do Banco Master, além de R$ 51 milhões em fundo imobiliário.
As semelhanças entre os casos envolvem o tipo de operação, o perfil dos ativos recomendados, o uso de recursos previdenciários e a participação da mesma consultoria na modelagem dos investimentos.
Em Cajamar, a Polícia Federal investiga se houve falhas técnicas, exposição incompatível ao risco ou irregularidades na condução das aplicações com dinheiro da previdência municipal.
O avanço das investigações amplia a pressão sobre o caso de Maceió, que também envolve recursos destinados a aposentados e pensionistas do serviço público municipal.
O ex-prefeito e atual vereador Rui Palmeira (PSD) já afirmou que Maceió foi o município que perdeu mais recursos no caso Banco Master e formalizou denúncia à Polícia Federal.