PALMEIRA DOS ÍNDIOS

Caso Gabriel Lincoln: Justiça define data para audiência de policiais envolvidos em morte de adolescente

Evento marcado para 15 de maio é considerado etapa decisiva; defesa da família espera que réus sejam levados a júri popular por crime doloso

Por Redação Publicado em 04/05/2026 às 17:02
Gabriel Lincoln Arquivo

Um ano após a trágica morte de Gabriel Lincoln Pereira da Silva, de 16 anos, o processo judicial que apura a conduta de policiais militares em Alagoas ganha um novo e decisivo capítulo. A Justiça estadual agendou para o próximo dia 15 de maio a audiência de instrução e julgamento do caso, ocorrido em maio de 2025 no Agreste alagoano.

O jovem foi morto durante uma abordagem policial enquanto pilotava uma motocicleta. Para o advogado da família, Gilmar Menino, o momento é de expectativa por justiça. "O processo entra em uma fase decisiva. Diante da robustez probatória, entendo que o Judiciário decidirá pela pronúncia dos réus, submetendo-os ao escrutínio do Tribunal do Júri", afirmou o defensor, classificando a ação como "abrupta e criminosa".

Até o fechamento desta edição, a defesa dos policiais militares não havia se pronunciado. O espaço segue aberto para manifestações.

Contradições e reviravoltas na investigação

O caso é marcado por versões conflitantes que mobilizaram a Secretaria de Segurança Pública (SSP-AL) e geraram forte comoção social. Relembre os principais pontos:

A Versão Inicial: Na noite do ocorrido, a Polícia Militar alegou que o adolescente realizava manobras perigosas e que teria disparado contra a viatura após uma tentativa de abordagem.

A Investigação Civil: A Polícia Civil contestou a versão oficial, apontando que Gabriel estava desarmado. Segundo o inquérito, os policiais teriam apresentado um revólver falso para forjar uma legítima defesa. A PC indiciou um dos militares por homicídio culposo (sem intenção de matar).

A Denúncia do Ministério Público: O MP-AL divergiu da polícia e elevou a gravidade da acusação. Para os promotores, houve dolo eventual — quando se assume o risco de matar — qualificado pelo recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

"O sargento, ao sacar a arma e efetuar o disparo em direção à vítima, previa o resultado morte e assumiu o risco", sustenta o Ministério Público.

Afastamento e Pressão Popular

Em outubro do ano passado, os três policiais envolvidos na operação foram afastados preventivamente por determinação judicial. A medida ocorreu após meses de pressão da família, que chegou a se reunir com a cúpula da segurança pública estadual para cobrar rigor e transparência.

Uma reprodução simulada (reconstituição) chegou a ser realizada no local do crime para dirimir dúvidas sobre a trajetória do disparo que ceifou a vida do adolescente. Agora, a audiência de instrução será o filtro final para decidir se os militares enfrentarão o julgamento popular por crimes dolosos contra a vida.