Em vídeo, vice-prefeita Sheila diz que não tem gabinete na prefeitura desde janeiro de 2025 e que prefeita e ainda exonerou todos seus servidores
A vice-prefeita de Palmeira dos Índios, Sheila Duarte, publicou nesta segunda-feira, 23 de março de 2026, um vídeo em suas redes sociais no qual afirma estar sem gabinete oficial desde o início do mandato, em janeiro de 2025. Segundo ela, diante da falta de estrutura por parte da Prefeitura, passou a atender em um imóvel particular de sua propriedade, localizado na Rua Getúlio Vargas, nº 803, no bairro Empresário Abdias Raimundo.
Na gravação, Sheila diz que nunca teve um espaço institucional adequado para exercer plenamente as atribuições de carga e que os locais sugeridos pelo município, como dependências no Banco do Brasil e no Hotel São Bernardo, não apresentavam condições mínimas de funcionamento. “Fui visitar lugares totalmente desinstalados e sem condições de trabalho”, declarou.
Ainda de acordo com a vice-prefeita, por não encontrar alternativa viável, decidi instalar seu gabinete no prédio próprio, sem qualquer custo para o município. O volume do vídeo, porém, se agrava quando ela relata que foram exonerados um auxiliar de serviços gerais, um atendente e o motorista que davam suporte à sua estrutura. Ao fim da fala, Sheila lança a pergunta: “Você acha isso justo?”
A declaração, embora grave, chama a atenção por um detalhe político detalhado: se a vice-prefeita está realmente sem gabinete desde janeiro de 2025, causa estranha que a denúncia pública só esteja sendo feita agora, em março de 2026, mais de um ano depois do início da gestão. Trata-se de um lapso de tempo muito longo para uma situação que, pela própria natureza da carga, exigia providências imediatas, ocorrência institucional ou ao menos manifestação pública anterior.
A demora abre espaço para duas leituras políticas. A primeira é a de que Sheila Duarte teria demonstrado paciência em excesso, aguardando por tempo demais uma solução administrativa que jamais veio. A segunda, mais evidente no ambiente político, é que a denúncia só ganhou publicidade agora porque o desgaste interno chegou a um ponto de rompimento, tornando impossível sustentar em silêncio uma situação que, se verdade nos termos narrados, já deveria ter sido exposta há muito tempo.
Em qualquer das hipóteses, o fato é politicamente desconfortável. Se houve omissão da Prefeitura em garantir um gabinete minimamente digno à vice-prefeita durante todo esse período, o caso é grave. Mas, se o problema persistiu por mais de um ano sem qualquer denúncia pública, também é legitimamente questionável por que só agora a vice-prefeita resolveu transformar a situação em fato político.
A exposição do caso nas redes sociais revela mais do que um problema de estrutura física. Ela escancarou, sobretudo, uma relação deteriorada dentro do núcleo do poder municipal. A falta de gabinete, a exoneração de auxiliares e o uso de um imóvel privado como sede improvisada do mandato não são apenas episódios administrativos: são sinais visíveis de isolamento político.
Com manifestação pública, Sheila Duarte joga luz sobre um impasse que, até então, permanece nos bastidores. Resta saber por que um problema que, segundo ela, existe desde o primeiro mês da gestão, só agora foi apresentado à população com ares de denúncia e indignação.
Até o momento, não há posicionamento oficial da Prefeitura sobre as declarações da vice-prefeita.