Entre o tempo e o algoritmo: como idade e gênero influenciam quem inova
Muito se fala sobre inclusão no setor de tecnologia, mas ainda há espaço para ampliar o debate sobre quem está sendo incluído e como tornar esse processo mais abrangente. Mesmo com os avanços recentes, o caminho para um futuro mais diverso ainda passa por desafios importantes, como questões relacionadas a gênero e idade, que podem impactar especialmente mulheres ao longo de suas trajetórias profissionais.
A economia digital, frequentemente associada à inovação, ainda convive com práticas e percepções tradicionais. De modo geral, perfis mais jovens e altamente adaptáveis costumam ser mais valorizados, o que pode acabar deixando em segundo plano profissionais com experiências diferentes. No setor tecnológico, essa ideia pode se intensificar, criando a impressão de que o aprendizado está mais ligado à juventude do que, de fato, à capacidade contínua de desenvolvimento.
Dados recentes, como um estudo do Serasa Experian, indicam que a maior parte das mulheres na tecnologia está concentrada entre 29 e 38 anos, com menor presença em faixas etárias mais altas. Esse cenário pode refletir desafios relacionados à permanência e progressão na carreira ao longo do tempo. Muitas mulheres mais experientes acabam enfrentando dificuldades para encontrar espaços que valorizem tanto sua bagagem quanto seu potencial de contribuição.
Essas questões não surgem de forma isolada. Desde cedo, meninas podem ter menos incentivo para seguir carreiras em ciência e tecnologia. Ao longo da vida profissional, fatores como pausas na carreira e diferentes responsabilidades também influenciam suas trajetórias, tornando o percurso mais complexo.
Ampliar a presença de mulheres de diferentes idades em posições de liderança na tecnologia pode trazer benefícios significativos. A diversidade de experiências tende a enriquecer a tomada de decisão e a promover soluções mais completas. Além disso, iniciativas de formação e requalificação ao longo da vida podem contribuir para que mais pessoas tenham oportunidades de entrar ou permanecer no setor, independentemente da idade.
Promover um ambiente mais inclusivo na tecnologia envolve não apenas ampliar o acesso, mas também repensar práticas e percepções. Incentivar o aprendizado contínuo, valorizar diferentes trajetórias e abrir espaço para múltiplas perspectivas são passos importantes para construir um futuro mais equilibrado, em que pessoas de todas as idades possam participar e contribuir de forma significativa.
*Sonia de Almeida, Diretora Executiva da Afesu.
Sobre a Afesu
Fundada em 1963, a Afesu (Associação Feminina de Estudos Sociais e Universitários) é uma organização sem fins lucrativos que promove a inclusão social de meninas e mulheres por meio da educação. Com cursos 100% gratuitos, voltados para beneficiárias de 7 a 25 anos, a instituição oferece formação integral, apoio escolar, qualificação profissional e desenvolvimento socioemocional e atua sempre sem conjunto a família da aluna. Com unidades em regiões vulneráveis nas cidades de São Paulo — Jardim Taboão, Vila Missionária e Cotia —, a instituição já atendeu mais de 15 mil beneficiárias, impactando direta e indiretamente cerca de 60 mil pessoas.
A Afesu mantém uma sólida rede de parcerias com mais de 50 empresas e instituições — como WEG, Porto, Craft, Schneider Electric, Instituto Ambikira — que colaboram para a formação humana e iniciação profissional das beneficiárias. A organização também já recebeu diversos reconhecimentos por seu impacto social e por sua contribuição à educação de qualidade e equitativa no Brasil.