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Brasil: o celeiro do mundo que insiste em alimentar-se de sobras

Por Thaís Vieira Publicado em 11/05/2026 às 13:17
Thaís Vieira de Souza Divulgação / Amanda Custódio

O Brasil é frequentemente descrito como o "país do futuro", mas o problema é que este futuro nunca chega! Somos a última Coca-Cola gelada do deserto: um potencial imenso, mas ninguém mais parece acreditar. A pergunta nos corredores do poder e nas mesas de jantar é simples e ao mesmo tempo devastadora: por que, afinal, o Brasil nunca vai para frente?

A resposta simples revela a ausência de um plano de longo prazo. No entanto, se escavarmos mais fundo para entender os motivos disso que mais parece uma maldição, encontraremos uma raiz profunda escondida em nossa história chamada: imediatismo.

Esta maldição é um vilão invisível e silencioso que desenhou nossos fracassos ao longo dos séculos. O imediatismo nos faz trocar projetos de crescimento real por soluções urgentes e paliativas. É ele que nos empurra a aceitar migalhas hoje, ignorando o banquete que poderíamos desfrutar se tivéssemos a paciência de preparar a terra e esperar a colheita, e é por isso que somos o celeiro do mundo que continua alimentando-se das sobras.

O Ciclo do Atraso

O resultado dessa pressa histórica é o que a economia chama de "voo de galinha": pequenas fases de crescimento seguidos por quedas bruscas. Vivemos em um ciclo crônico de repetição, onde promessas populistas surgem como salvadoras, mas apenas alimentam a mesma engrenagem que nos mantém reféns do subdesenvolvimento.

Mas por que então um país que carrega esta maldição seria a última coca gelada do deserto? A resposta é simples: porque ainda não passamos pelo ciclo de desenvolvimento educacional e de produtividade que transforma nações. Países como a Coreia do Sul já provaram que investir no preparo desse solo, chamado educação, gera retornos avassaladores.

O Potencial de Crescimento Real

Se o Brasil decidisse, finalmente, arar essa terra com seriedade, poderíamos sustentar um crescimento de aproximadamente 5% ao ano pelas próximas duas décadas. Não se trata de um sonho utópico, mas de uma fatia real de riqueza e produtividade que está à nossa espera. Afinal, quando o país cresce de forma sólida, o cidadão deixa de disputar sobras e passa a ocupar efetivamente seu lugar à mesa.

A Escolha do Futuro

Estamos em um momento crucial. Discutir um plano robusto de crescimento não é um luxo intelectual, mas uma necessidade de sobrevivência. O futuro do Brasil depende da nossa capacidade de enxergar além do próximo trimestre ou da próxima eleição. Precisamos decidir se continuaremos sendo o país do eterno potencial ou se teremos a coragem de reescrever nossa trajetória.

A pergunta que fica para todos nós é: se não começarmos a mudar o plantio agora, quando colheremos algo positivamente diferente?

*Thaís Vieira de Souza é autora de “A maldição da mandioca”, uma ficção econômica que reflete sobre o futuro do país e analisa as dificuldades culturais que impedem o desenvolvimento do Brasil.