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Na política não existe político doce

Por Júlio César Cardoso Publicado em 11/05/2026 às 08:07
Júlio César Cardoso Divulgação

A urgência ignorada

O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) cobra no Congresso a redução da maioridade penal após o caso de estupro em São Paulo. Trata-se de uma medida que, não fossem os falsos defensores dos direitos humanos travando a pauta, já teria sido aprovada. O episódio expõe como temas de interesse coletivo são tratados sem a urgência necessária, enquanto projetos de caráter seletivo avançam com rapidez.

Pautas de interesse coletivo


O Congresso deveria se dedicar a matérias que dizem respeito à sociedade em geral, e não a iniciativas voltadas a indivíduos ou grupos específicos — como foi o PL da dosimetria, criado para beneficiar exclusivamente Jair Bolsonaro. A falta de prioridade em questões relevantes revela a desconexão dos parlamentares com as necessidades reais do país.

A contradição bolsonarista


O deputado Nikolas, ao lado de seu grupo, é responsável por pautas importantes não avançarem. Enquanto se empenham em dar urgência ao chamado “PL da imoralidade”, deixam de lado propostas como a redução da maioridade penal, que poderiam trazer impacto direto à segurança pública. Não é coerente levantar a bandeira da moralização nacional e, ao mesmo tempo, colaborar com a desmoralização do Brasil ao apoiar medidas que afrontam decisões do STF.

Conclusão


Ou se é fiel ao país, ou não. Não pode haver moeda com duas faces antagônicas. Como já dizia Nelson Rodrigues, com sua verve irônica: “Na política não existe político doce.”

Júlio César Cardoso
Servidor federal aposentado
Balneário Camboriú-SC