O reúso de água como estratégia de competitividade industrial
Diante do cenário das mudanças climáticas e o aumento da escassez ou época de secas, a indústria que não dominar seu ciclo de água vai perder competitividade. Por isso, qualquer gestor hoje precisa refletir como um ‘passivo ambiental’, como as chuvas, pode se transformar em um ‘ativo financeiro’ com o tratamento eficiente de efluentes para reúso.
O aproveitamento de efluentes deve ser entendido como uma unidade de economia circular, que é aquele modelo de produção que procura reduzir desperdício e a poluição, usando o maior tempo possível materiais e produtos por meio de reutilização, reciclagem ou compartilhamento.
Na competividade industrial a reutilização da água, especialmente a de chuva, passou a ser um recurso eficaz. A razão é que essa alternativa amortiza os custos operacionais e simultaneamente fica em conformidade ambiental. Além de tudo, fortalece a imagem da sustentabilidade no negócio. Hoje em dia, diversas indústrias entenderam a relevância desse procedimento e estão aplicando tecnologias de reutilização da água.
E para complementar, o reúso é uma resposta direta diante das frequentes estiagens. Cada vez mais os brasileiros percebem pelo noticiário ou no seu próprio ambiente o aumento de crises de abastecimento de água. Por isso mesmo, investir em tecnologias de melhor aproveitamento da chuva e de outras possibilidades de reprocessamento é uma prática que não poderá mais ser desvalorizada ou dispensada pelas plantas industriais pelo país que estão conectadas com as tendências atuais e tecnológicas.
O impacto na competitividade pode ser constatado com facilidade pela eficiência operacional com processos mais estáveis e menos desprotegidos por interrupções pela falta de água. Algumas empresas descobriram que financeiramente a mudança de comportamento é muito positiva na economia financeira, havendo reduções de até 40% na conta, em alguns segmentos.
Segundo informações de mercado, conforme a tecnologia e escala de reúso de água, o investimento na infraestrutura é bem elástico e pode variar de R$ 500 mil a R$ 5 milhões. O payback também não é imediato e em média leva de 3 a 7 anos, dependendo da tarifa de água da cidade e do volume de consumo.
Hoje em dia, as inovações tecnológicas mais usuais e acessíveis são eletroanálise reversa – EDR –, ultrafiltração, flotação por ar dissolvido, tratamento biológico avançado, inteligência hídrica ou recirculação em torres de resfriamento. São novos sistemas que fortalecem o posicionamento da empresa como um líder ativo nas novas conquistas ambientais. Todas as empresas que seguirem nesse caminho podem capitalizar como marca sustentável norteada pela ESG, e porque a aplicação gera maior empatia e admiração pela opinião pública.
As aplicações por setor são múltiplas e cada qual tem seu objetivo. Na indústria petroquímica há o reúso de água para torres de resfriamento e processos de lavagem. Na Indústria têxtil é empregado para o reaproveitamento em processos de tingimento e lavagem de tecidos. Dentro da indústria de alimentação e bebidas a água tratada é usada para limpeza de equipamentos e até na irrigação de áreas verdes. E na indústria siderúrgica a água processada é aproveitada na recirculação em sistemas de refrigeração.
No reúso estratégico de água há visível redução da dependência de captação de água potável e queda nos gastos com tratamento de efluentes. Em algumas regiões onde crises hídricas costumam castigar a produção nota-se um risco menor de escassez. E havendo o cumprimento da legislação, normas e exigência ambientais não aparecerão despesas indigestas como multas e restrições na operação da fábrica.
Naturalmente há também desafios e riscos. Como já foi exposto, os sistemas de tratamento e monitoramento exigem geralmente investimentos significativos. Em algumas empresas não é qualquer água que pode ser reutilizada sem que passe por tratamento avançado, exigindo por isso tecnologia especializada. É preciso ainda alinhar reúso hídrico com políticas de sustentabilidade e metas de produção. Pela complexidade técnica, a mão de obra tem que ser capacitada.
Em São Paulo e outros estados, onde há frequente escassez hídrica, fazer investimentos em tecnologias de reúso é mais que uma prática sustentável, trata-se de uma estratégia de sobrevivência e competitividade industrial. Portanto, investir em tecnologias de reúso é bem vantajoso estrategicamente e quase indispensável para indústrias que querem se manter competitivas.
*Engº Francisco Carlos Oliver é diretor técnico industrial da Fluid Feeder Indústria e Comércio Ltda., especializada em tratamento de água e de efluentes por meio de soluções personalizadas. www.fluidfeeder.com.br