O Salsichinha que achava ser Pitbull
O pequeno Pipoca era um cachorrinho da raça Dachshund, que todos conhecemos como cachorrinho salsicha, com seu minúsculo corpinho comprido, carinha alongada e grandes orelhas caídas.
Pipoca tinha poucos meses de vida, mas era hiperativo, corria por todos os lados, pulava em cima de seus irmãos, mordia tudo o que encontrava pela frente.
Porém, o cachorrinho se diferenciava de seus irmãos pela valentia e o temperamento forte: era bravinho com as pessoas que se aproximavam.
Sua mãe o repreendia dizendo que não podia ser tão bravo, pois todos daquela raça eram amorosos. Mas, Pipoca se enfurecia ainda mais porque não aceitava ser um cachorrinho bonitinho e fofinho, queria mesmo era ser um pitbull.
— Eu sou bravo! Eu sou perigoso! Sou um pitbull! – Rosnava o pequenino cachorro para o velho gato da casa chamado Acácio.
— Nossa! Que pitbull mais medonho! Estou tremendo de medo! – Dizia Acácio, morrendo de rir, com seu sarcasmo felino.
Pipoca não se deixava abater e latia para o gato na tentativa de amedronta-lo. Entretanto, seus latidos eram tão baixos e tão fraquinhos, que pareciam pequenas tossidas.
O cachorrinho não via a hora de crescer e enfim, se tornar como um pitbull. Esperava ansiosamente colocar medo em todos quando mostrasse seus terríveis dentões pontiagudos, e apenas sua presença fosse o suficiente para todos correrem, apavorados de medo.
O Gato Acácio constantemente convidava seus amigos felinos para festas em casa, quando a madrugada chegava. Juntavam muitos gatos pelo muro ou em cima da casa, onde conversavam, namoravam e se divertiam. Pipoca ficava enlouquecido com a balburdia, não aceitava aquela pouca vergonha dos gatos e os enfrentavam para que a ordem fosse estabelecida, como todo pitbull de respeito faria naquelas ocasiões. O cachorrinho latia, corria e rosnava. A gataiada ria:
— Minha nossa! O que vamos fazer! O pitbull vai estraçalhar todos nós!
— Que cachorrão bravo! Acho que vou desmaiar de tanto medo!
Pipoca continuava latindo e os gatos se divertiam. A festa ficava ainda mais animada. No fim, Pipoca se cansava e voltava para junto de sua mãe. Mas a raiva o consumia. Quando crescesse iria acabar com aquela algazarra.
O tempo passou e Pipoca realmente cresceu... alguns centímetros.
Mas, sua coragem nunca diminuiu. O cachorrinho continuava rosnando e latindo para todos que apareciam na casa, e principalmente, para os gatos. Que adoravam Pipoca.
O amiguinho valente que pensava ser um feroz pitbull.
RODRIGO ALVES DE CARVALHO nasceu em Jacutinga (MG). Jornalista, escritor e poeta, possui diversos prêmios em vários estados e participação em importantes coletâneas de poesia, contos e crônicas promovidas por editoras e órgãos literários. Atualmente colabora com suas crônicas em conceituados jornais brasileiros e Blogs dedicados à literatura.
Em 2018, lançou seu primeiro livro intitulado “Contos Colhidos”, pela editora Clube de Autores. Trata-se de uma coletânea com contos e crônicas ficcionais, repleto de realismo fantástico e humor. Também pela editora Clube de Autores, em 2024, publicou o segundo livro: “Jacutinga em versos e lembranças” - coletânea de poemas que remetem à infância e juventude em Jacutinga, sua cidade natal, localizada no sul de Minas Gerais. Em 2025, publicou o terceiro livro “A saga de Picolândia” - série de relatos sociopolíticos acontecidos em Picolândia – uma pequena cidade do interior, cuja sua principal fonte de renda é a produção de sorvetes. Com um tom humorístico e irônico, com uma pitada de realismo fantástico, a obra reúne diversas crônicas engraçadas narradas por um morador desta cidade.
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