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Expansão não é sobre abrir lojas, é sobre escolher as praças certas

Por Fritz Paixão Publicado em 02/04/2026 às 09:38
Fritz Paixão

Durante muito tempo o êxito de uma rede de franquias era medido pelo número de lojas abertas. Quanto mais operações no mapa, maior aparentava ser o sucesso. Porém, as marcas brasileiras vem mudando e esse amadurecimento aponta para a estratégia de crescer nos lugares certos e de forma estratégica como o verdadeiro medidor do triunfo de uma rede. No cenário atual, expandir deixou de ser apenas abrir unidades e passou a exigir decisões orientadas por análise de mercado e avaliação territorial, priorizando regiões com maior potencial de resultado.

O franchising, que faturou mais de  R$300 bilhões em 2025, segundo dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF), é um setor que vive um momento robusto e reforça o interesse do empreendedor brasileiro nas franquias como motor de aceleração desse movimento. Os números revelam também uma importante mudança na lógica de expansão das redes, com o número de operações crescendo de forma moderada e consciente, com inteligência territorial e consciência de público-alvo, fatores essenciais para a efetividade do negócio. 

Há alguns anos, era comum seguir o raciocínio de começar por todas as capitais do Brasil, seguir para grandes cidades e depois interiorizar. Hoje, porém, sabemos que esse raciocínio é simplista. A expansão eficiente começa com estudo demográfico, comportamento de consumo e poder de compra dos habitantes, bem como do segmento investido. Esse mesmo princípio vale quando a rede decide atravessar fronteiras. A internacionalização, assim como a expansão nacional, exige planejamento e entendimento profundo das praças. No fim, crescer não é uma corrida para abrir mais portas, mas um processo de escolher os mercados certos para construir operações sólidas e duradouras.

Portanto, o franchising brasileiro atual mostra que a expansão de uma rede não deve ser confundida com velocidade. Muitas inaugurações podem até gerar uma visibilidade imediata para a marca, mas não deve ser tratada como termômetro de sucesso do negócio. É fundamental basear-se no crescimento consistente, ancorado em inteligência de mercado e análise territorial. Hoje, a pergunta não deve ser mais quantas unidades abrir, mas sim onde e por quê.