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Tempo e passagem

Por Jorge Luiz Soares Melo Publicado em 22/03/2026 às 08:00
Jorge Luiz Soares Melo

Caros leitores, o tempo é o mais silencioso dos companheiros da existência humana. Ele não faz barulho, não anuncia sua chegada nem sua partida, mas está sempre presente, acompanhando cada gesto, cada pensamento e cada lembrança. Como um rio que nunca para de correr, o tempo segue seu curso, levando consigo momentos que jamais voltarão.

Desde o instante em que nascemos, iniciamos uma jornada marcada pela passagem do tempo.

A infância com sua leveza e descobertas, parece durar para sempre, mas logo cede espaço à juventude, cheia de sonhos e inquietações. Depois vem a maturidade, quando o ser humano começa a perceber que o tempo não é apenas um cenário da vida, mas um dos seus maiores mestres.

A passagem do tempo nos ensina a valorizar aquilo que antes parecia simples demais para merecer atenção. Um abraço, uma conversa tranquila, o sorriso de alguém querido ou o silêncio de um entardecer passam a ter um significado mais profundo quando compreendemos que nada disso é permanente.

Caros leitores, muitas vezes o ser humano tenta lutar contra o tempo. Procura detê-lo em fotografias, guarda-lo em lembranças ou disfarça-lo nos sinais que ele deixa no rosto e nos cabelos. Entretanto, o tempo não é inimigo; ele é parte da própria essência da vida. Sem sua passagem, não haveria crescimento, mudança ou sabedoria.

Cada fase da vida carrega uma beleza própria. A juventude possuí a energia das possibilidades, enquanto a maturidade traz a serenidade da experiência. O tempo, nesse sentido, funciona como um escultor invisível, moldando o caráter, lapidando sentimentos e ampliando a compreensão do mundo.

Caros leitores, também é através do tempo que aprendemos o valor da memória.

As recordações são como pequenas janelas abertas para aquilo que já passou. Elas nos permitem revisitar momentos importantes, reviver emoções e reconhecer o caminho que percorremos.

Contudo, a passagem do tempo também nos lembra da fragilidade da existência. Tudo o que hoje parece sólido e permanente, um dia se transformará em uma simples lembrança. Essa consciência, longe de causar tristeza, pode despertar um olhar mais atento para o presente.

Viver bem o tempo talvez seja uma das maiores artes da vida. Significa compreender que o passado é aprendizado, o futuro é esperança e o presente é o único instante que realmente nos pertence. Quando percebemos isso, cada minuto ganha um valor especial.

Caros leitores, assim o tempo segue sua marcha constante, conduzindo a história de cada pessoa. Ele não pode ser parado nem revertido, mas pode ser vivido com sentido.

E talvez seja justamente nessa passagem inevitável que reside a verdadeira beleza da vida: a oportunidade de transformar cada momento em algo digno de ser lembrado.

Jorge Luiz Soares Melo é Membro Efetivo da Academia Alagoana de Letras