Ministério Público promove ações de escuta, acolhimento e cuidado durante o Setembro Amarelo em Arapiraca
Há momentos em que cuidar começa simplesmente por parar, ouvir e estar verdadeiramente disponível para o outro. Foi com esse propósito que o Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL) levou, nesta terça-feira (22), a Arapiraca, a programação especial do Setembro Amarelo, reunindo membros, servidores, estagiários e colaboradores em torno de um tema que atravessa a vida pessoal e profissional de cada indivíduo: a saúde mental. Na sede das Promotorias de Justiça da cidade, o encontro contou com a roda de conversa “Café com Escuta” e com um círculo restaurativo, atividades que promoveram um espaço de acolhimento, reflexão e diálogo sobre autovalorização, prevenção ao suicídio e cuidado com a saúde mental.
Durante toda a manhã, o Café com Escuta trouxe uma atmosfera descontraída e afetiva para o encontro. A dinâmica foi pensada como uma oportunidade de fortalecer vínculos, compartilhar experiências e lembrar que, por trás das funções e responsabilidades institucionais, existem pessoas que também precisam de acolhimento.
A presidente da Comissão de Prevenção a Situações de Risco à Saúde Mental do MPAL, Sandra Malta, destacou a receptividade e a integração encontradas em Arapiraca: “Arapiraca tem essa vibração diferente. Vocês realmente possuem uma integração admirável, o que facilita muito o desenvolvimento dos trabalhos”, pontuou a procuradora de Justiça.
Em continuidade à sua fala, Sandra Malta lembrou que a realização do Café com Escuta no município acabou se tornando um importante momento de aproximação entre os integrantes da instituição. “O Café com Escuta em Arapiraca foi um grande sucesso em 2025. Na verdade, foi um marco. E essa integração entre o Centro de Autocomposição de Conflitos do Ministério Público do MPAL e a Comissão de Prevenção a Situações de Risco à Saúde Mental transforma o Setembro Amarelo em espaço de escuta, acolhimento e cuidado em Arapiraca”, enfatizou.
Diretor do Compor, o procurador de Justiça Valter Acioly também falou sobre a necessidade de existir momentos como esse: “Por trás de cada função, de cada processo e de cada atendimento, existe uma pessoa. Criar espaços de escuta como este é reconhecer que também precisamos ser cuidados e que falar sobre saúde mental deve fazer parte da nossa rotina”, defendeu.
A procuradora de Justiça Silvana Abreu ressaltou que falar de saúde exige olhar para o ser humano de maneira integral, incluindo aspectos emocionais e espirituais: “Temos que pensar nesse momento como uma oportunidade em que nós nos unimos para cuidar da nossa saúde. E saúde não é só o físico, especialmente a saúde mental, que vai muito além”, reforçou.
Ela também relacionou o encontro ao propósito central do Setembro Amarelo: a prevenção do suicídio e a construção de redes de apoio. “Trabalhamos o Setembro Amarelo justamente para essa prevenção, para que nós possamos não só nos cuidar, mas também cuidar daqueles que pedem ajuda”, disse a procuradora.
Cuidar para enfrentar as adversidades
Para Laís Macedo, psicóloga do Ministério Público, compartilhar as dores e desafios do dia a dia é um etapa importante para manter o equilíbrio da saúde mental: “A vida é feita de adversidades. A gente não tem como escapar disso. Quanto mais habilidade a gente tiver para manejar essas adversidades, mais vai se sentir capaz de manejar a vida e viver bem”, explicou.
A psicóloga reforçou ainda que a escuta não significa assumir para si a responsabilidade de resolver o sofrimento do outro. “Saber acolher também envolve reconhecer quando é necessário encaminhar a pessoa para profissionais e serviços especializados. Essa compreensão é especialmente importante no Ministério Público, onde membros, servidores e estagiários lidam diariamente com pessoas que chegam à instituição em situações de vulnerabilidade”, destacou ela.
Para Claritiana Pereira, assistente social do Ministério Público, o bem-estar do servidor faz com que ele se sinta motivado, goste do que está fazendo e seja mais propositivo e proativo: “Ele deixa de enxergar o trabalho como um fardo e passa a perceber que aquilo que faz tem sentido e que está sendo útil para a sociedade. Quando esse sentimento acontece de forma genuína, temos um clima organizacional melhor, relações interpessoais mais saudáveis e, consequentemente, uma melhor produtividade.”, lembrou.
A programação em Arapiraca integra as ações do MPAL pelo Setembro Amarelo, que vêm percorrendo diferentes unidades da instituição com atividades voltadas à prevenção, ao acolhimento e à promoção da saúde mental. Fabiana Ide, servidora do MPAL, comentou o quanto as atividades desta terça-feira a fizeram bem: “Quando existe um ambiente em que as pessoas se sentem acolhidas e têm liberdade para conversar, isso muda a forma como a gente vive o trabalho. Nós passamos a enxergar o colega não apenas pela função que ele exerce, mas como uma pessoa que também tem suas dificuldades, seus sentimentos e suas necessidades”, disse ela.
Micaele de Oliveira, estagiária do Ministério Público, também celebrou a manhã de aprendizados: “A gente sai daqui entendendo que escutar o outro é importante, mas também que precisamos aprender a nos escutar. Foi um momento muito importante para refletir sobre isso”, garantiu.