NE 4.0 entrega primeiro projeto de transformação digital para indústria de Alagoas
Plano desenvolvido combina inteligência artificial, sensores e Gêmeo Digital; outras duas empresas do Estado serão selecionadas pelo programa
Maceió (AL) – A Cooperativa Pindorama, em Coruripe, é a primeira indústria de Alagoas a receber um projeto de transformação digital elaborado no âmbito Programa NE 4.0 – Núcleos da Nova Indústria Brasil (N-NIB). O plano, denominado SIOB-Flex, propõe integrar dados e processos da unidade industrial, que utiliza cana-de-açúcar, milho e sorgo na produção, com tecnologias como inteligência artificial, sensores e Gêmeo Digital, uma representação virtual da operação que permite acompanhar e simular processos industriais.
O projeto parte de um Índice de Maturidade Digital, métrica que avalia o nível de evolução tecnológica de uma organização e a sua capacidade de usar ferramentas digitais para melhorar processos, atendimento e resultados, de 18,2% e estabelece como referência chegar a 68,9% em 30 meses. Entre as medidas previstas estão mudanças no aproveitamento de coprodutos, aumento do rendimento da produção de etanol a partir de cereais e redução do consumo de vapor.
O NE 4.0 é uma iniciativa da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) com objetivo é de apoiar a incorporação de tecnologias digitais pela indústria regional. No estado, tem como instituições parceiras a Universidade Federal de Alagoas (Ufal), FIEA, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal) e Sebrae Alagoas.
A proposta combina diagnóstico da maturidade tecnológica das empresas, formação de profissionais e elaboração de projetos de modernização, aproximando empresas, universidades e instituições de ciência, tecnologia e inovação. O programa está alinhado à Nova Indústria Brasil (NIB), política industrial do Governo Federal que prevê ações voltadas à inovação e à modernização do setor produtivo. No Nordeste, a iniciativa busca adaptar essas soluções às características e às demandas de cada território.
Mudanças na produção
No caso da Pindorama, uma das frentes previstas é o aproveitamento de coprodutos para produzir um farelo com maior concentração de proteína, denominado HP-WDG. De acordo com as estimativas apresentadas no projeto, a mudança poderia elevar o valor do produto de R$ 400 para R$ 1.500 por tonelada, com receita adicional estimada em R$ 10,4 milhões por ano.
Outra projeção é o aumento de 2,5% no rendimento da produção de etanol a partir de cereais, o que corresponderia a aproximadamente 875 mil litros adicionais por ano. O projeto também estima redução de 5% no consumo de vapor, com economia anual calculada em R$ 1,2 milhão.
Investimentos
A implantação do projeto foi estimada entre R$ 59,94 milhões e R$ 89,94 milhões. Os técnicos do programa N-NIB apontaram as possíveis fontes de financiamento para sua execução. A maior parte dos recursos seria destinada à implantação industrial e à infraestrutura, que poderia, por exemplo, ser financiadas através de linhas como o FNE Coopera, do Banco do Nordeste, e o Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE), administrado pela própria Sudene.
Para a implantação industrial, a estimativa varia de R$ 30 milhões a R$ 60 milhões, com possibilidade de financiamento pelo Fundo Clima, do BNDES. Já para pesquisa, desenvolvimento e inovação, estão previstos R$ 9,94 milhões, com possibilidade de subvenção por meio da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), com participação do SENAI ISI Biomassa e da Pindorama.
As fontes indicadas ainda dependem de enquadramento, análise e aprovação pelas instituições responsáveis. O projeto está em avaliação pela cooperativa. Entre as próximas etapas estão a definição da estrutura de governança, a organização de dados históricos dos últimos 36 meses e o encaminhamento das alternativas de financiamento.
Alagoas terá três projetos
A Pindorama é a primeira de três empresas alagoanas que receberão projetos elaborados por especialistas contratados no âmbito do NE 4.0. As outras duas empresas serão selecionadas a partir do mapeamento da maturidade tecnológica da indústria de Alagoas, desenvolvido em articulação com a Federação das Indústrias do Estado de Alagoas (FIEA), o SENAI Alagoas e a Secretaria de Estado do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Sedics).
A iniciativa amplia o diagnóstico para além de uma empresa específica. O levantamento busca identificar o estágio de adoção de tecnologias digitais pelas indústrias e apontar demandas e oportunidades de modernização no setor produtivo alagoano.
Também está em articulação uma residência tecnológica em Indústria 4.0, envolvendo Sudene, Universidade Federal de Alagoas (Ufal), FIEA, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal) e Sebrae Alagoas. A proposta combina capacitação técnica, diagnóstico empresarial e elaboração de projetos de modernização.
Como funciona o NE 4.0
O programa está estruturado em etapas que vão da mobilização das instituições locais ao desenvolvimento de projetos para as empresas. A metodologia inclui eventos regionais, mapeamento do setor produtivo, produção de materiais informativos, workshops, visitas técnicas e diagnóstico de maturidade digital.
A etapa seguinte é o apoio especializado para transformar os diagnósticos em projetos de inovação e identificar alternativas de financiamento. Ao final, estão previstos planos de ação por estado, considerando as características e vocações produtivas de cada território.
O programa também prevê a criação de turmas de residência tecnológica em Indústria 4.0, com início previsto para o segundo semestre de 2026. A formação deve aproximar estudantes e profissionais das demandas tecnológicas das empresas.
A expectativa é alcançar mais de 500 pessoas e cerca de 20 indústrias nos estados participantes, com elaboração de portfólios estratégicos e planos de transformação digital.