Mais do que Som, uma Identidade: O Reggae Resiste ao Preconceito e Une Gerações em Alagoas
Com mais de duas décadas de história, o movimento afirma suas raízes afros e reafirma a música como instrumento de conscientização social
O ritmo que ultrapassa fronteiras geográficas também rompe barreiras geracionais e sociais. Em Alagoas, o reggae consolida sua força não apenas como gênero musical, mas como um movimento vivo de afirmação cultural, superação de estigmas e integração comunitária. Essa vitalidade ficou demonstrada neste domingo, durante o 3º Encontro da Equipe Maceió de Reggae, realizado no bairro do Feitosa, capital alagoana
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O evento reuniu um público plural — desde crianças a veteranos do movimento — com caravanas vindas de diversos bairros da capital e do interior do estado, como a expressiva comitiva do município de Viçosa. A tarde de celebração foi marcada por encontros de gerações e pelo registro do 3º projeto audiovisual do DJ Boca, nome emblemático com mais de 27 anos de dedicação à difusão do reggae em Alagoas e no Nordeste.
"Venho há mais de 27 anos levando esse reggae a todo canto. Para mim é um prazer imenso, porque gosto da música. Hoje é uma satisfação estar com essa rapaziada e com os mestres, todo mundo alegre e curtindo a nossa cultura."
—DJ Boca
Superação de Preconceitos e Luta de Longa Data
Para quem acompanha a trajetória da cena local, a continuidade do movimento reflete um processo histórico de enfrentamento à marginalização. Segundo Nando do Reggae, militante com mais de 20 anos de atuação na área, a permanência do estilo nos espaços urbanos é fruto direto do compromisso dos seus integrantes.
"O preconceito foi vencido pela resistência e pela luta", enfatiza Nando, lembrando que a essência da linguagem reggae permanece vinculada à denúncia social, ao respeito mútuo e à preservação da identidade periférica.
Conscientização Social e Valorização da Cultura Afro
Entre as referências históricas presentes, o cantor e agitador cultural Osvaldo Silva reforçou o papel pedagógico e transformador do gênero para as novas gerações. Autor e intérprete de marcantes composições do acervo alagoano, como "Menino de Rua" e "Ester", Osvaldo destacou o compromisso ético e comunitário do movimento.

Osvaldo Silva, um dos principais nomes da resistência do reggae em Alagoas
"A mensagem para a juventude é clara: não use drogas, porque o reggae é cultura, o reggae é resistência. Ele pertence à cultura negra, à ancestralidade afro, e seu propósito é edificar."
— Osvaldo Silva
A fala de Osvaldo sintetiza a visão das lideranças locais, que enxergam na musicalidade um caminho de acolhimento e formação cidadã para os jovens das periferias alagoanas.
Celebração Coletiva e Grandes Nomes do Encontro
O encontro no Feitosa promoveu a união entre veteranos e a nova safra de artistas do reggae alagoano. Entre os participantes destacados, estiveram presentes:
Joelma Roots & Cícera do Reggae — Representando a força feminina no movimento;
DJ Tairone Rasta, DJ Paulo Rasta & DJ Morena Roots — Comandando a seleção das pedras e sequências clássicas;
DJ Jamerson & Ivan do Reggae (cantor) — Trazendo a energia dos palcos e das radiolas;
Osvaldo Silva — Veterano e voz de clássicos do reggae local.
Um Legado Cultural Enraizado
A expressiva adesão do público ao evento reafirma que o reggae em Alagoas não é uma manifestação passageira, mas uma tradição consolidada no cotidiano de suas comunidades. Ao reunir diferentes gerações sob a mesma vibração de paz e conscientização, a cena alagoana prova que a resistência construída ao longo de décadas continua gerando frutos e mantendo acesa a chama da cultura afro no estado.