Dia do Ceramista celebra tradição milenar e evidencia trabalho de mais de mil artesãos em Alagoas
Ceramistas atuam na produção de peças artesanais em diversas regiões
O Dia do Ceramista é realizado nesta quinta-feira (28) e é dedicado a profissionais que transformam o barro em arte e preservam uma tradição milenar marcada pela criatividade, expressões culturais e geração de renda nos municípios e comunidades.
Em Alagoas, 1.175 ceramistas estão cadastrados no Programa do Artesanato Brasileiro (PAB), com o apoio do Programa Alagoas Feita à Mão, participando na produção de peças artesanais em diversas regiões e na manutenção de uma das técnicas mais antigas da humanidade, transmitidas como legado ao longo do tempo.
A artesã Sil, do município de Capela (maior polo dessa técnica no estado), é uma das referências no trabalho com o barro em Alagoas. Discípula de João das Alagoas, ela valorizou o aprendizado que adquiriu com o mestre ao longo de sua trajetória e destacou o conhecimento apreendido até agora.
"Descobri o talento através de um curso para mães de crianças com deficiência, oferecido pelo Sebrae. Foi lá que conheci o mestre João das Alagoas. Hoje sou muito grata a ele, pois foi quem me ensinou a arte do barro", lembrou.
Ela diz que o ofício se tornou essencial em sua vida, já que, além de inspirar sua rotina, o trabalho também é sua fonte de sustento. “É um trabalho de suma importância, pois é dessa arte que tiro o meu sustento de cada dia”.
A cerâmica artesanal transforma argila em peças decorativas e artísticas, utilizando técnicas tradicionais desenvolvidas a partir da experiência, da criatividade e da identidade cultural das artes. Cada objeto produzido apresenta características únicas, resultado da inspiração e do conhecimento de quem o confecciona.
Para chegar a esse resultado, Sil descreve como é o processo de produção de suas obras até o momento da comercialização. "Eu comecei pegando o barro do barreiro e colocando para secar. Depois de secar eu piso, peneiro e coloco na água novamente para ele virar uma massa e, a partir daí, faço as esculturas. Depois de prontas, levo para o forno, queimo e, então, a peça está pronta para venda", detalhou.
Tradição e geração de renda
Adriana Siqueira é irmã de Sil e aprendeu o ofício estimulado pela artesã. Há mais de uma década trabalha com a técnica tradicional e se mostra feliz com tudo o que aprendeu do saber familiar.
"Há 13 anos estou no mundo da arte, inspirado pela minha irmã, Sil, que trabalhou no ateliê do mestre João das Alagoas. Ela me chamou para ajudar-la com o trabalho das jacas pequenas, depois surgiu a inspiração de fazer a peça grande e, graças a Deus, deu tudo certo", conto.
Ela diz que a técnica passou a ser sua fonte de sustento e que, agora, utiliza o trabalho artesanal para gerar renda em casa. “Sou muito feliz e agradecida a Deus e à minha irmã, pois sobrevivo do meu trabalho e da minha arte”, enfatizou.
Incentivo institucional
O artesanato alagoano é apoiado pelo Programa Alagoas Feita à Mão (Afam), gerenciado pela Secretaria de Estado de Relações Federativas e Internacionais (Serfi), que amplia a presença do setor em mercados nacionais e internacionais e impulsiona a visibilidade de produções modernas, como peças em cerâmica, madeira e tecidos.
Para a secretária da Serfi, Jacqueline Rêgo, é fundamental celebrar não apenas uma data simbólica, mas também uma tradição que representa a força do trabalho, da criatividade de um povo e da preservação de saberes transmitidos entre gerações.
"Cada peça do nosso artesanato carrega conhecimento e tradição, expressões reais de nossa história e identidade, que são repassadas às novas gerações. Além disso, o fortalecimento das diferentes técnicas artesanais, com o apoio do Governo do Estado, contribui para estimular a economia local, gerar renda e promover a valorização dos produtos dentro e fora de Alagoas", finalizou.