Evento da Secria debate desafios das violências digitais na infância e adolescência
Encontro reuniu especialistas para discutir exposição nas redes e impactos psicológicos em crianças e adolescentes
A Secretaria de Estado da Primeira Infância (Secria) realizou, nesta segunda-feira (25), no Centro de Convenções de Maceió, em Jaraguá, o evento “Proteção Digital e Garantia de Direitos”. O objetivo foi debater os impactos das violências digitais na infância e adolescência, além dos desafios da proteção em um cenário cada vez mais conectado à internet.
O evento, promovido em parceria com a Secretaria de Estado do Planejamento, Gestão e Patrimônio (Seplag), reuniu mais de 400 participantes, entre autoridades, representantes da sociedade civil e profissionais de diversas áreas.
Com mais de 20 anos de experiência na educação, a educadora e ativista Sheylli Caleffi ministrou a palestra “Internet e Riscos: os novos desafios da infância”. Ela abordou temas como exposição nas redes sociais, violência psicológica, aliciamento virtual, exploração sexual online e os efeitos do ambiente digital no desenvolvimento emocional de crianças e adolescentes.
Sheylli Caleffi destacou a rapidez com que as plataformas digitais mudaram as relações sociais, sem que a sociedade estivesse preparada para proteger crianças e adolescentes nesse ambiente. "O celular chegou antes da educação digital. Hoje, muitas famílias entregam acesso irrestrito à internet sem compreender os riscos envolvidos. Isso cria uma infância superexposta e extremamente vulnerável", alertou.
A educadora também ressaltou a necessidade de superar a ideia de que a violência sexual ocorre apenas fora de casa ou em ambientes físicos. "Grande parte dos crimes hoje atravessa a tela. O agressor não precisa mais estar próximo fisicamente para manipular, ameaçar ou violentar uma criança", afirmou.
Proteção exige articulação entre diferentes áreas
Na abertura do evento, a secretária da Primeira Infância, Caroline Leite, enfatizou que o enfrentamento às violências digitais exige atuação conjunta entre setores do poder público. "Não existe proteção integral sem trabalho em rede. Quando saúde, assistência social, educação, segurança pública e sistema de justiça caminham juntos, conseguimos oferecer respostas mais rápidas e humanas para crianças e adolescentes", declarou.
Caroline Leite também defendeu que a proteção digital deve ir além de ações pontuais e deixá-la ser vista apenas como uma questão tecnológica. Para ela, o debate precisa fazer parte do cotidiano das instituições, famílias e escolas. "Estamos falando sobre direitos, saúde emocional, desenvolvimento infantil e preservação da vida. A internet atravessa todas essas áreas e, por isso, essa discussão precisa ser diária, coletiva e permanente", acrescentou.
Alagoas como referência na construção de protocolos
Durante sua passagem por Alagoas, Sheylli Caleffi elogiou o fluxo integrado de atendimento a crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência, políticas que articulam diferentes órgãos no acolhimento e encaminhamento dos casos. "Conhecer o fluxo de atendimento de Alagoas foi algo que realmente me marcou. É raro encontrar uma rede tão organizada e comprometida em garantir que essa criança não seja revitimizada durante o processo", afirmou.
A educadora também avaliou que o estado tem avançado na criação de políticas públicas para a proteção da infância. "Alagoas demonstra que é possível tratar esse tema com responsabilidade e integração entre as instituições. O estado sai na frente quando compreende que a proteção não acontece de forma isolada", destacou.
A programação conta ainda com o apoio das secretarias de Estado da Cidadania e da Pessoa com Deficiência (Secdef), de Segurança Pública (SSP), de Prevenção à Violência (Seprev), de Assistência e Desenvolvimento Social (Seades) e de Saúde (Sesau).