Ambulatório de especialidades da Uncisal promove debate sobre proteção infantil na sala de espera
Ação educativa aborda prevenção, sinais de alerta e canais de denúncia contra o abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes
O Ambulatório de Especialidades da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Ambesp/Uncisal) realizou, nesta segunda-feira (25), uma palestra em referência ao Maio Laranja, campanha nacional dedicada ao combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes. A iniciativa, promovida na sala de espera da unidade, levou informações sobre prevenção, sinais de alerta e canais de rejeição a pacientes e acompanhantes que aguardavam atendimento.
A palestra foi conduzida pelos assistentes sociais Juliana Marques, do Hospital Escola Hélvio Auto (HEHA) e voluntário do Programa de Localização e Identificação de Desaparecidos (PLID/MP), e Thamires Melo, integrante da Rede de Atenção às Violências (RAV/Sesau-AL). Durante o encontro, foram abordados temas como abuso sexual, exploração sexual infantojuvenil, subnotificação dos casos e a importância da rede de proteção.
"A ideia de coletividade e de responsabilidade coletiva na proteção infantil e juvenil precisa ser compartilhada. Esse não é um papel apenas do Estado ou das famílias, mas de toda a comunidade", afirmou Juliana Marques.
Segundo ela, a atividade também buscou apresentar à população os canais de denúncia e os materiais de apoio disponíveis sobre o tema, para que os participantes possam multiplicar essas informações em outros espaços.
Durante a apresentação, os palestrantes explicaram sinais que podem indicar situações de violência, como mudanças bruscas de comportamento, medo excessivo, regressão infantil e conhecimento sexual incompatível com a idade. O conteúdo também abordou formas de prevenção, educação sexual adequada à faixa etária e à necessidade de diálogo dentro das famílias e comunidades.
Para Thamires Melo, o tema ainda provoca desconforto porque envolve assuntos historicamente pouco debatidos. "Ainda existe muito tabu quando a gente fala sobre sexualidade, educação sexual e violência dentro de casa. Quando esses espaços de conversa são abertos, muitas pessoas percebem a importância do diálogo e acabam compartilhando experiências próprias ou de pessoas próximas", destacou.
Ela avalia essas discussões ajudando a ampliar a conscientização sobre situações que muitas vezes permanecem silenciadas.
A atividade integra as ações educativas desenvolvidas pela Ambesp em salas de espera, utilizando o espaço para disseminação de informações em saúde e temas sociais. A organização do evento ficou sob a responsabilidade da assistente social Agda Soares, que ressaltou o papel da universidade na proximidade com a comunidade.
"A sala de espera é um ambiente importante porque conseguimos transformar o tempo de espera em um momento de informação e acolhimento. As pessoas chegam para uma consulta, mas também encontram orientações sobre questões que atravessam a vida em sociedade", pontuou Agda.
De acordo com ela, a proposta é preparar a população para identificar riscos, conhecer formas de proteção e compreender como agir diante de situações de violência.
A repercussão da palestra também apareceu nos relatos espontâneos do público presente. Maria José, moradora da Pescaria e paciente da unidade, comentou que situações envolvendo crianças precisam ser observadas pelos adultos. Ela contou o relato de uma menina de cinco anos sobre comportamentos inadequados vivenciados no ambiente escolar e destacou que casos assim não podem ser ignorados. Para ela, mesmo crianças consideradas “espertas” precisam de orientação e cuidado constante.
Instituído pela Lei Federal nº 14.432/2022, o Maio Laranja mobilizou instituições e serviços em todo o país para conscientizar a população sobre o combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes. A campanha também chama atenção para a importância da denúncia por meio de canais como o Disque 100, Conselhos Tutelares e delegações especializadas.