SAÚDE PÚBLICA

Captação de órgãos no HGE beneficia oito pessoas e reforça alerta sobre doação

Procedimentos realizados no centro cirúrgico do HGE contemplaram oito pacientes na fila de transplante em Alagoas.

Publicado em 25/05/2026 às 17:18
Procedimentos no HGE beneficiaram oito pacientes e reforçam a importância da doação de órgãos em Alagoas. Thallysson Alves / Ascom HGE

Oito pessoas que aguardaram a lista de transplantes foram beneficiadas após duas captações de órgãos realizadas no Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió. Os procedimentos foram realizados no domingo (24) e na segunda-feira (25), após a confirmação de morte encefálica em dois pacientes e a mobilização das equipes especializadas da Central de Transplantes de Alagoas.

A primeira doadora foi uma mulher de 35 anos, dedicada com morte encefálica após sofrer uma queda. A decisão da família possibilitou a doação de dois enxágues e duas córneas.

O segundo doador foi um homem de 39 anos, vítima de traumatismo cranioencefálico grave após um acidente. Ele teve morte encefálica confirmada e possibilidade de doação de um fígado, uma borda e duas córneas.

Fila de esperança e sensibilização

“Ao todo, as duas captações beneficiaram oito pacientes que aguardaram transplantes. Mas, somente em Alagoas, temos 608 pessoas na fila, sendo 554 à espera de córnea, 40 de rim e 14 de fígado. Ou seja, ainda precisamos que mais pessoas sejam sensibilizadas e se declarem doadoras de órgãos”, destacou Daniela Ramos, coordenadora da Central de Transplantes de Alagoas.

A morte encefálica é caracterizada pela perda completa e irreversível das funções executivas. O diagnóstico segue critérios rigorosos do Conselho Federal de Medicina (CFM), com avaliações clínicas feitas por diferentes médicos e exames complementares que comprovam a ausência de atividade cerebral. Mesmo com o suporte de aparelhos para manter o coração batendo, não há possibilidade de reversão do quadro.

Solidariedade transforma vidas

Para o diretor médico do HGE, Miquéias Damasceno, cada autorização familiar representa um gesto de solidariedade capaz de transformar vidas em um momento marcado pelo dor da perda. Ele ressalta que o diálogo prévio sobre o desejo de ser doador é fundamental para tomar uma decisão mais segura e humanizada.

"Além de salvar vidas, a doação de órgãos tem impacto social significativo, ao devolver qualidade de vida, autonomia e esperança a pacientes que enfrentam longos períodos de espera. Em muitos casos, o transplante é a única alternativa terapêutica possível", acrescentou.

De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil registrou recorde histórico de transplantes em 2025, com cerca de 31 mil procedimentos realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), um aumento de 21% em relação a 2022. O transplante de córnea liderou o número de procedimentos, seguidos pelos de rim e fígado.

Apesar dos avanços, a recusa familiar ainda é um dos principais desafios. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 45% das famílias brasileiras não autorizam a doação de órgãos. Por isso, especialistas reforçam a importância de comunicar à família o desejo de ser doador, já que a autorização familiar é necessária para a realização da coleta no Brasil.

"A Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) conta com equipes multiprofissionais comprometidas para atuar na identificação de potenciais doadores, no acolhimento às famílias e na condução segura de todo o processo, seguindo protocolos nacionais. É um trabalho sério, supervisionado continuamente para garantir o respeito à vida", afirmou um coordenadora.