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Projeto premiado na Sinpete ganha prêmio nacional de educação e sustentabilidade

Iniciativa desenvolvida por professor alagoano aproximou famílias da escola e conquistou premiação no Global Goals Educa

Por Ryan Charles Publicado em 21/05/2026 às 12:51
Comunidade do município de Branquinha, na Zona da Mata alagoana, participante do projeto, em curso de técnicas para criar porta-joias e jogos americanos

O projeto Escola e Comunidade: Promovendo e Construindo Práticas Inovadoras a partir das oficinas da Fibra da Bananeira vem dando uma nova cara à educação no município de Branquinha, na Zona da Mata alagoana, e foi um dos ganhadores do Global Goals Educa, programa nacional que forma educadores para desenvolver ações alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU).

Ao todo, dez professores de diferentes regiões foram premiados, com iniciativas selecionadas nos estados da Bahia, Paraíba, Sergipe, Pará, São Paulo, Mato Grosso e Alagoas, sendo o Escola e Comunidade o único representante do estado. Agora, o projeto conta com os selos ODS 4, de educação de qualidade; ODS 8, de trabalho decente e crescimento econômico; e ODS 12, de consumo e produção responsáveis.

Conhecendo a iniciativa

O projeto é idealizado pelo professor Jarmison Odilon, que tinha o desejo de inserir os estudantes na Semana Institucional de Pesquisa e Educação Básica (Sinpete) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), com o objetivo de estimular a participação deles em processos mais dinâmicos e acadêmicos.

Analisando a realidade do município, o professor sentiu a necessidade de fortalecer o vínculo entre ensino, família e comunidade, criando novas estratégias para ampliar a participação dos responsáveis no ambiente escolar.

“Muitas vezes, os resultados esperados dos alunos não eram alcançados e a participação das famílias nas reuniões era muito baixa. A partir disso, a escola passou a refletir sobre a realidade da comunidade rural em que está inserida e decidiu utilizar a fibra da bananeira, matéria-prima presente na região, como forma de aproximar as famílias por meio de oficinas práticas e mais participativas”, contou.

Início das atividades

Com o pontapé inicial do desejo de participar da Sinpete, o projeto partiu para a prática. O professor contou que o processo foi feito gradativamente, começando pelo convite aos pais para participarem das reuniões e, depois, agregando toda a comunidade à ação. A iniciativa se destacou por, além de valorizar o trabalho artesanal, também contribuir para a conscientização sobre o uso dos recursos naturais, ao incentivar o aproveitamento de uma matéria-prima abundante no município.

“As oficinas eram divididas em momentos. Inicialmente, apresentamos a proposta pedagógica e explicamos como tudo aconteceria. Depois, organizamos grupos mistos envolvendo pais, alunos, professores, funcionários e membros da comunidade local. Cada grupo ficava responsável por confeccionar peças utilizando a fibra da bananeira. O objetivo era justamente integrar todos os participantes no processo”, explicou.

Destaque em premiações

Com o sucesso da iniciativa, o professor participou da 4ª edição da Sinpete, realizada em 2025. Para Jarmison, o evento foi o principal fator para que o projeto seguisse crescendo e desempenhou um papel fundamental para a educação básica ao aproximar, principalmente as áreas rurais, da universidade.

“O evento desperta essa investigação tanto nos alunos quanto nos professores e faz com que os estudantes da área rural se sintam pertencentes à sociedade e à construção de um mundo melhor. Muitas vezes, os alunos enxergam a universidade como algo muito distante, e o evento reduz essa distância. Ele permite que os alunos enxerguem que tudo na educação é possível, basta acreditar”, destacou.

No evento, o projeto conquistou o 1º lugar na categoria Pesquisa Inovadora. A coordenadora da Sinpete, Vera Lúcia, afirmou que a atividade desenvolvida por Jarmison se alinha diretamente aos princípios da ação e da Universidade, que busca fomentar iniciativas capazes de transformar realidades.

“O projeto do professor representa muito bem o espírito da Sinpete: uma ciência que nasce da escola, dialoga com o território e transforma realidades. Ao utilizar a fibra da bananeira, o trabalho valoriza saberes locais, promove sustentabilidade e envolve estudantes, famílias e comunidade em uma experiência concreta de inovação educacional”, comentou.

Com a conquista no Global Goals Educa, Jarmison afirma que o resultado superou as expectativas e que levar o nome de Branquinha para o cenário nacional é indescritível.

“Acho que ainda não caiu a ficha. É muito gratificante levar o nome da escola, da cidade e da educação de Branquinha para outros lugares. Somos uma escola da área rural e a única escola do estado de Alagoas, entre os 102 municípios, a conquistar esse reconhecimento. É algo encantador. Eu nem consigo encontrar adjetivos para descrever tanta felicidade”, comemorou.

A coordenadora Vera Lúcia também compartilhou a alegria em ver que a Sinpete faz parte da trajetória do projeto e destacou que o objetivo da ação é justamente impulsionar iniciativas como essa.

“Isso mostra que a escola pública alagoana tem produzido conhecimento de qualidade, com impacto social e relevância científica. O projeto segue vinculado ao programa, participa da mentoria e integrará a próxima coleção de livros, o que reforça nosso compromisso com a continuidade, a formação e a valorização da pesquisa na Educação Básica”, finalizou.

Para quem quiser conhecer mais sobre o projeto, o Global Goals Educa disponibilizou um vídeo institucional, acesse aqui.

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