DIA DAS MÃES

Mães que cooperam, transformam e inspiram em Alagoas

Com histórias marcadas pela coragem, cuidado e força coletiva, mães sertanejas constroem oportunidades e deixam um legado de desenvolvimento.

Publicado em 10/05/2026 às 16:29
Mães que cooperam, transformam e inspiram em Alagoas

Entre o cuidado com os filhos e a dedicação ao trabalho, mães encontram no cooperativismo uma forma de transformar a própria realidade e, também, a de suas comunidades. No sertão alagoano, as histórias de Cícera Alves, cooperada e fundadora da Cooperativa dos Produtores de Mel, Insumos e Produtos da Agricultura Familiar (Coopeapis), e de Verônica Gomes, presidente da Cooperativa de Produção e Comercialização da Agricultura Familiar (Coopcaf), mostram como maternidade, força feminina e cooperação caminham juntas. Afinal, toda maternidade se inicia com o ato de cuidar e cooperar. 

Antes mesmo da cooperativa, dona Cícera, já exercia um papel social importante na comunidade: professora por vocação e por amor ao próximo, ela reunia crianças sertanejas e, de forma voluntária, ensinava filhos de outras mães a ler e escrever, tornando-se uma verdadeira rede de apoio em uma época em que o acesso à educação era ainda mais difícil. Ou seja, sem nem ela saber na época, suas práticas já tinham uma semelhança com princípios do cooperativismo como educação e interesse pela comunidade.

Mesmo a Pedagogia sendo sua paixão, foi no cooperativismo que encontrou o caminho para criar os filhos, garantir sustento para a família e seguir ajudando outras pessoas. E foi por meio de seu trabalho na cooperativa que também realizou seu maior sonho e hoje é graduada e pós-graduada em Pedagogia. Sua história atravessa gerações com filhos e netos fazendo parte da cooperativa, mantendo viva uma tradição que já é familiar.

“A cooperativa foi uma benção na minha vida porque eu era uma pessoa de baixa renda, fazia carvão para complementar a renda e foi por meio da cooperativa que eu mudei a minha vida e a dos meus filhos. Hoje tenho mais dignidade e  ver meus filhos junto comigo na cooperativa, onde eles conseguiram seu ganha pão, e estão bem é uma felicidade enorme. Até me emociono quando paro para pensar a felicidade que a apicultura e a cooperativa me proporcionaram, mesmo com muito trabalho e comprometimento, ver meus filhos formados devo ao cooperativismo”, disse Cícera.

Além do mel e derivados, a cooperativa conta com um grupo de 10 mulheres, na maioria mães, que trabalham na produção de bolos, biscoitos e outras delícias destinadas à merenda escolar e vendas direta na Casa do Mel, que fica em Piau povoado de Piranhas, gerando uma importante fonte de renda e autonomia para sustentar suas famílias.

“Estou aqui há 9 anos e é daqui que consigo fazer o que eu gosto, trabalhar com pessoas que parecem ser uma família, e ainda ganhar dinheiro, fruto do meu trabalho e assim conseguir comprar as coisinhas para meu filho. Essa cooperativa transforma realidades”, afirmou Francilene Alves Lisboa da Silva, mãe de dois filhos, um de 17 anos e outro de 10.

Atualmente, a Coopeapis conta com 130 cooperados e só no ano passado comercializou cerca de 7 toneladas de mel.

Assim como dona Cícera, Verônica também enxergou no cooperativismo uma oportunidade de transformar vidas. À frente da Coopcaf, uma cooperativa com cerca de 160 cooperados, ela é mãe de um menino de 8 anos e concilia a maternidade com a liderança de uma cooperativa que acredita no potencial produtivo do sertão. Para ela, criar a cooperativa foi uma forma de mostrar aos jovens que pequenas propriedades rurais podem se tornar negócios sustentáveis, capazes de gerar renda e esperança dentro da própria comunidade.

“O trabalho na cooperativa me permite estar mais próximo do meu filho. Sou produtora e levo meu filho, muitas vezes, para acompanhar comigo as tarefas do campo. Para mim, não existe coisa melhor do que fazer o meu filho reconhecer e ter orgulho das origens dele, sou neta e filha de agricultor e sou agricultora. Fui para a cidade para estudar e voltei para o campo porque acredito que é possível ter oportunidades nas pequenas propriedades daqui e precisamos mostrar isso para a juventude de hoje, que se forma e vai embora achando que só tem um futuro lá fora”, explicou Verônica, formada em Gestão Pública e técnica em agropecuária.

Na produção de ovos, Verônica lidera uma realidade onde cerca de 80% das cooperadas são mães que encontraram no cooperativismo um aliado importante na criação dos filhos. Em uma atividade que gera cerca de 60% de retorno financeiro, estas mulheres mães se dividem entre o trabalho compartilhado, a geração de renda e o fortalecimento coletivo, mostrando que cooperar também é cuidar do futuro.

No campo, na produção, na gestão, dentro de casa ou em diversos postos de trabalho, as histórias de dona Cícera e Verônica representam tantas outras mulheres que fazem do cooperativismo um caminho que cuida, alimenta, acolhe e constrói  oportunidades, transformando desafios em força coletiva.