ALAGOAS

Daqui pro Mundo: um mergulho na rotina dos intercambistas alagoanos que desbravaram Brighton no ano passado

Publicado em 09/05/2026 às 08:35
Estudantes da 2ª edição do programa Daqui pro Mundo relatam as experiências em Brighton Kaique Pacheco/ Ascom Seduc


Às vésperas de sua terceira edição, o Programa Daqui pra o Mundo vai levar 150 estudantes da rede estadual para um intercâmbio na Inglaterra, com tudo custeado pelo Governo de Alagoas.  

 

Enquanto os novos selecionados organizam malas e documentos em uma contagem regressiva, revisitamos nesta reportagem especial a experiência de Massimo, Samuel, Graziele e Adelmo, que, em 2025, participaram do intercâmbio na cidade de Brighton, um dos destinos mais procurados pelos ingleses no verão em virtude de suas praias e efervescência cultural.

 

Para os 20 jovens alagoanos que ficaram na cidade, a escola Bayswater College (antiga Eurocentres) foi motivo de inspiração. 

 

Os relatos desses alunos inspiram e cativam os próximos viajantes, que futuramente irão relatar sua história patrocinada pelos seus esforços e pelo Governo de Alagoas, através do maior programa de intercâmbio da história da rede estadual. 

 

Cuscuz e o sonho de ensinar

 

Massimo Paulo, de 17 anos, partiu de Santana do Ipanema carregando um otimismo contagiante e um objetivo claro. Aluno da Escola Estadual Professora Laura Maria Chagas de Assis, ele sempre viu na língua inglesa uma porta para o mundo, mas descobriu em Brighton que a educação é a ferramenta capaz de transformar realidades por meio de pequenas atitudes.

 

A rotina de Massimo era marcada pelo contraste. Acordar sob o frio das manhãs do verão britânico era o primeiro sinal de que a vida havia mudado. Ele viveu a experiência completa de morar com duas ‘host families’ distintas. Uma delas, de Camarões, trouxe um acolhimento espiritual e motivacional que o marcou profundamente. "Conversávamos muito durante o jantar sobre o Brasil, nossos costumes e famílias. Levei até pacotes de fubá para cozinhar cuscuz para eles. Foi um pedaço do Nordeste em solo britânico", relembra o estudante.

 

Na Bayswater, Massimo sentiu sua fluência crescer por meio de debates e jogos. Para ele, o ponto alto foi a visita às Seven Sisters, os icônicos penhascos de giz que serviram de cenário para os filmes de Harry Potter, saga da qual é fã. "A imersão revelou as oportunidades que o mundo oferece. Hoje, estou decidido a ser professor de inglês e buscar a fluência total", afirma o jovem, que transformou a ousadia de viajar em um plano de carreira.

 

Choque cultural

Natural de Arapiraca, Samuel José, 17 anos, é o retrato da curiosidade intelectual. Aluno da Escola Estadual Professor José Quintela Cavalcanti, de Arapiraca, ele divide sua paixão entre a geografia, a fotografia e a análise de temas mundiais. Em Brighton, sua lente capturou muito mais do que paisagens.

 

Sua ‘host family’, um casal de idosos amáveis, proporcionou um dos momentos mais “surreais” da viagem: o cuidado com raposas que visitavam o quintal da casa. "Eles eram muito receptivos, contavam histórias de suas viagens de juventude e do orgulho que tinham dos netos no futebol", conta Samuel. Na escola, as aulas ao ar livre e as oficinas de desenho ajudaram a quebrar a barreira da timidez.

 

Para os intercambistas de 2026, Samuel aconselha não se deixar levar pela insegurança e aproveitar a experiência ao máximo. "A gente sempre se questiona se vai valer a pena, se vamos nos adaptar. Mas o medo vai embora e sobra só a saudade. Eu não sou mais a mesma pessoa. Hoje entendo que viver o momento é o que realmente importa", reflete o estudante.

 

Independência e a calmaria de Rottingdean

 

Graziele dos Santos, de 17 anos, veio de Água Branca representando a Escola Estadual Monsenhor Sebastião Alves Bezerra. Criativa e amante da natureza, ela viu no intercâmbio a oportunidade de decidir seus rumos após o Ensino Médio. O que mais a surpreendeu não foi a grandiosidade de Londres, mas a pontualidade britânica e a eficiência dos ônibus de dois andares, de onde apreciava a vista da cidade.

 

Graziele encontrou seu lugar favorito na vila de Rottingdean. "Não é extravagante, mas me cativou pelo silêncio, pelo moinho de vento e pelas cafeterias históricas. Foi lá que parei e pensei: 'Nossa, eu realmente estou na Inglaterra'", conta. Ela também se adaptou rapidamente à autonomia europeia, como o sistema de self-checkout nos mercados, onde o próprio cliente passa suas compras.

 

A maior mudança, porém, foi interna. "Eu tinha medo de ir a qualquer lugar sozinha. Passar um mês longe da família me deu uma segurança que eu não conhecia", explica. Para os próximos viajantes, ela deixa um aviso prático: "Aproveitem cada segundo, não pensem em descansar. O foco é a imersão. E lembrancinhas? Só no final da viagem!". Ensina.

 

A conquista dos oito quilômetros

 

Adelmo Candido, de 18 anos, aluno da Escola Estadual Muniz Falcão, em Cacimbinhas, é fascinado por sistemas e estruturas. Seja na matemática ou na gramática, ele busca entender como as peças se encaixam. Em Brighton, sua rotina era cronometrada. Acordava às 6h30, tomava o café preparado por suas ‘hosts’ (brasileiras radicadas na Inglaterra) e corria para o ônibus.

 

Sobre a estadia, ele comenta: “A recepção não poderia ter sido melhor. Minhas anfitriãs falavam apenas inglês conosco para garantir a imersão, mas o café da manhã com toque brasileiro me fazia sentir em casa", relata Adelmo. Na escola, ele se destacou nos testes semanais de proficiência, subindo de nível rapidamente. Para ele, a regra de "proibido falar português" foi o que realmente destravou seu idioma.

 

A missão de formar cidadãos globais

 

Acompanhando de perto cada passo dessa jornada, a monitora Mariana Loureiro, mestre e doutoranda em Estudos Literários, destaca o papel social do programa. Professora da rede estadual desde 2022, ela testemunhou a quebra de paradigmas dentro da sala de aula. "Muitos alunos acham que nunca vão sair do país por serem da escola pública. O intercâmbio destrói essa ideia e planta uma esperança real", afirma.

 

Mariana descreve Brighton como uma "cidade-abraço", onde a diversidade social facilita o crescimento cultural. Ela acompanhou a evolução de alunos que saíram do nível básico para o avançado em tempo recorde e viu a integração total com outras nacionalidades. 

 

Para ela, passeios como o Píer de Brighton, o Royal Pavilion e o i360 são fundamentais, mas a verdadeira bagagem é a imaterial. "Eles voltam cidadãos do mundo. A democratização do acesso a essas experiências é o maior retorno que podemos dar para a sociedade alagoana", finaliza Mariana.

Estudantes da 2ª edição do programa Daqui pro Mundo relatam as experiências em Brighton Cortesia Kaique Pacheco/ Ascom Seduc Às vésperas de sua terceira edição, o Programa Daqui pra o Mundo vai levar 150 estudantes da rede estadual para um intercâmbio na Inglaterra, com tudo cus…

Estudantes da 2ª edição do programa Daqui pro Mundo relatam as experiências em Brighton Cortesia Kaique Pacheco/ Ascom Seduc Às vésperas de sua terceira edição, o Programa Daqui pra o Mundo vai levar 150 estudantes da rede estadual para um intercâmbio na Inglaterra, com tudo cus…

Estudantes da 2ª edição do programa Daqui pro Mundo relatam as experiências em Brighton Cortesia Kaique Pacheco/ Ascom Seduc Às vésperas de sua terceira edição, o Programa Daqui pra o Mundo vai levar 150 estudantes da rede estadual para um intercâmbio na Inglaterra, com tudo cus…