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Pioneirismo em Alagoas: Ministério Público abre as portas para jovens do sistema socioeducativo em ação inédita

Por Redação com Ascom MPAL Publicado em 06/05/2026 às 14:56
Pioneirismo em Alagoas: Ministério Público abre as portas para jovens do sistema socioeducativo em ação inédita

Em meio aos desafios próprios da juventude e aos aprendizados impostos pelas medidas socioeducativas, adolescentes ocuparam, nesta quarta-feira (6), um espaço que também lhes pertence: o do diálogo com a instituição que assegura seus direitos. Ao cruzarem as portas do Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL), eles não foram apenas visitantes, foram reconhecidos como sujeitos de direitos e responsabilidades. Ao recebê-los por meio do projeto “A Escola Vai ao MP e ao Memorial”, o MPAL mostrou, de forma pioneira no país, que garantir direitos também significa promover escuta qualificada, oferecer informação clara e fortalecer a construção consciente da cidadania como caminho possível de transformação.

A abertura do encontro foi conduzida pelo procurador-geral de Justiça (PGJ), Lean Araújo, e pela curadora do Memorial, procuradora de Justiça Kícia Oliveira Cabral de Vasconcellos. Em sua fala, o PGJ destacou o pioneirismo da instituição. “O MP de Alagoas é o primeiro Ministério Público do Brasil a receber, em seu prédio-sede, socioeducandos para dialogar sobre cidadania e garantia de direitos. Isso tem um significado profundo e mostra que acreditamos na escuta, na orientação e na construção de novas oportunidades”, afirmou Lean Araújo, ressaltando que o papel constitucional da instituição vai além da atuação judicial, alcançando a promoção de direitos e a transformação social.

Kícia Cabral enfatizou a importância do espaço histórico como instrumento de formação cidadã. “O Memorial Desembargador Hélio Cabral abriga a história da instituição por meio de um acervo que preserva documentos, objetos e registros que contam a trajetória do Ministério Público. É fundamental que todos nós conheçamos essa história e compreendamos o papel do MP na defesa da sociedade”, pontuou.

Visita ao Memorial

A visita guiada foi conduzida pela coordenadora do Memorial, Gisela Pfau, que apresentou aos estudantes curiosidades, fatos históricos e peças do acervo. “Quando esses jovens percorrem o Memorial, eles percebem que o Ministério Público é feito de pessoas e de histórias comprometidas com a justiça. Conhecer essa trajetória é também compreender que eles são sujeitos de direitos e parte ativa da sociedade”, destacou ela.

Na sequência, os alunos participaram de um bate-papo com a promotora de Justiça Marília Cerqueira, titular da 12ª Promotoria de Justiça da Capital, com atribuição no acompanhamento de medidas socioeducativas. Durante a conversa, foram abordados direitos e deveres previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), além de dispositivos específicos relacionados à socioeducação. “Conhecer o ECA é compreender que direitos caminham ao lado de responsabilidades. A medida socioeducativa não é apenas uma resposta ao ato infracional, mas uma oportunidade de reflexão, aprendizado e reconstrução de projetos de vida”, afirmou a promotora, incentivando os adolescentes a enxergarem o futuro como espaço de possibilidades, inclusive, por meio da escola regular da qual fazem parte e dos cursos de aprendizagem ministrados pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac).

Samuel Nogueira, que já foi socioeducando no passado, participou da roda de conversa e contou como as oportunidades que lhes foram ofertadas mudaram a sua vida: “O que aprendemos dentro da unidade de internação e as oportunidades que são oferecidas nos mostram que pode haver um novo caminho para as nossas vidas, e foi o que eu fiz. Hoje me transformei em agente educador dentro dessas próprias unidades”, contou ele. 

Também estiveram presentes Jessyca Sabino Simões Torres Malheiros, assessora jurídica da SUMESE; Tauana Samara da Silva Santos, gerente de Desenvolvimento Integral da SUMESE; Karolayne da Silva Fernandes Ferro, coordenadora pedagógica da SUMESE; Simone Meireles Mota Santos, coordenadora de Serviço Social da SUMESE; Jandete Melo de Sena, diretora da Escola Paulo Jorge; Natália Marques, gerente de Programas Sociais do SENAC; além de outros representantes de órgãos e entidades parceiras.