ECONOMIA

Sefaz discute demandas do setor sucroenergético com representantes da Asplana

Secretária da Fazenda de Alagoas se reúne com presidente da Asplana para analisar impactos da safra e buscar soluções para o setor.

Publicado em 06/05/2026 às 13:07
Secretária da Fazenda de Alagoas discute impactos da safra com representantes do setor sucroenergético. Ascom Sefaz-AL

Encontro marca início de escuta institucional sobre crise do setor

A secretária de Estado da Fazenda de Alagoas, Renata dos Santos, recebeu nesta terça-feira (05) o presidente da Associação dos Plantadores de Cana de Alagoas (Asplana), Edgar Antunes, para tratar dos impactos da atual safra sobre o setor sucroenergético do estado.

O encontro contou também com a presença do secretário especial da Receita Estadual, Francisco Suruagy, e marcou o início de um processo de escuta institucional e coleta de informações técnicas. O objetivo é subsidiar a análise de possíveis medidas do Governo de Alagoas voltadas para o segmento.

De acordo com a Asplana, os fornecedores de cana registraram queda superior a 20% na produção da safra 2025/2026, reflexo de adversidades climáticas, dificuldades na manutenção dos canaviais, retração de preços e aumento dos custos de produção. Esses fatores comprometem a renda no campo e colocam em risco a sustentabilidade da atividade em todo o estado.

“É a maior, ou uma das maiores crises da história enfrentadas pelo setor nos últimos anos em Alagoas”, afirmou Edgar Antunes, presidente da Asplana.

Fatores que impactaram a safra

A crise atual resulta da combinação de diferentes fatores adversos. Irregularidades climáticas ao longo de três safras consecutivas provocaram déficit hídrico significativo nas regiões produtoras, diminuindo o desenvolvimento das lavouras e dificultando o replantio em áreas de sequeiro.

Além disso, o valor do Açúcar Total Recuperável (ATR), principal referência de preço para os fornecedores, apresentou queda de 40% em relação ao ciclo anterior, impactando diretamente a rentabilidade da cadeia produtiva.

O cenário está se agravando com o aumento dos custos de produção e as mudanças nas políticas comerciais internacionais. A elevação das tarifas de importação pelos Estados Unidos, a partir de 2025, prejudica a competitividade do açúcar produzido no Nordeste brasileiro, que conta com uma cota de exportação de 147 mil toneladas para o mercado norte-americano, atualmente sob risco diante das novas barreiras tarifárias.

Perfil dos produtores de cana em Alagoas

Segundo a Asplana, cerca de 90% dos aproximadamente 7 mil fornecedores de cana de Alagoas são pequenos produtores, com perfil semelhante ao da agricultura familiar. A maioria depende exclusivamente das chuvas para irrigar seus canaviais, sem acesso a sistemas de supervisão que podem minimizar os efeitos do déficit hídrico.

O setor sucroenergético emprega diretamente mais de 60 mil trabalhadores em Alagoas e cerca de 130 mil em todo o Nordeste, sendo uma das principais bases econômicas e sociais do estado. A manutenção da orientação do setor, portanto, extrapola o campo econômico e alcança dimensões sociais, exigindo atenção especial dos gestores públicos.

Encaminhamentos

Ao final da reunião, ficou definido que a Asplana encaminhará à Sefaz-AL um conjunto de informações técnicas e dados setoriais que permitirão à secretaria mensurar com maiores resultados os impactos da crise sobre a economia e as finanças de Alagoas. A partir desse diagnóstico, o Governo do Estado irá analisar as possibilidades de apoio ao setor diante do cenário apresentado.

A Sefaz destaca que a condução do tema segue homologada à responsabilidade fiscal e ao compromisso com o desenvolvimento econômico do estado. “Antes da definição de medidas, a secretaria prioriza a análise dos efeitos da crise, tanto para os produtores quanto para as finanças públicas, garantindo que possíveis ações sejam efetivas, sustentáveis ​​e direcionadas a quem mais precisa”, ressalta o órgão.