Descarte irregular de medicamentos provoca prejuízos para o meio ambiente
Farmácias devem oferecer pontos de coleta para evitar contaminação de solos, rios e animais
Você sabia que não é recomendado descartar medicamentos vencidos ou em desuso no lixo comum? Essa prática pode causar diversos prejuízos ao meio ambiente, pois esses remédios contêm substâncias tóxicas que podem contaminar animais, solos, rios e até mesmo o lençol freático.
Segundo a consultora ambiental do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA/AL), Josielma Araújo, é comum que as pessoas joguem esses medicamentos no lixo, pelo ralo da pia ou na descarga sanitária, sem pensar no caminho que esse é eliminado após o descarte.
“Quando a gente descarta o medicamento vencido diretamente no lixo, esse medicamento pode ser ingerido por algum animal que rasga o saco de lixo, tem acesso a esse medicamento e se contamina. Se a gente descartar na pia ou dando descarga, pode isso contaminar o solo e o lençol freático, chegando até mesmo nos rios. Lá, os peixes e toda a fauna aquática podem confundir o medicamento com alimento e isso é muito prejudicial para a nossa biota”, explicou.
A consultora ainda ressalta que, além dos riscos ambientais, o descarte inadequado pode afetar a sociedade de outras formas.
"Estudos apontam que os peixes já têm o seu ciclo reprodutivo alterado em função do descarte inadequado de alguns hormônios que são comercializados sem receita médica. Já os antibióticos em contato com o solo tornam bactérias mais resistentes e imunes a tratamentos, algo que é muito nocivo já que sempre vamos ter que tomar medicamentos mais fortes para combater essas bactérias", alertou.
Existe, porém, uma forma correta de descartar esses produtos. Conforme o decreto nº 10.388/2020, da Lei nº 12.305/2010, de Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), farmácias e drogarias devem disponibilizar pontos de coleta e dar uma destinação adequada a esses resíduos, evitando o descarte no lixo comum ou no esgoto.
“Desta forma você garante a segurança ambiental da população, dos animais e também de todo o nosso ecossistema”, finalizou a consultora.