Estudantes da rede estadual apresentam projetos do Pibic Jr no Centro de Inovação em Maceió
Evento destaca produção científica do ensino médio alagoano e crescimento da pesquisa jovem
O Centro de Inovação Jaraguá, em Maceió, foi palco de um encontro transformador nesta quarta e quinta-feira (29 e 30). Estudantes da rede estadual de Alagoas apresentaram os resultados finais de seus projetos na edição 2025 do Programa de Bolsas de Iniciação Científica Júnior (Pibic Jr).
O programa é fruto de uma parceria entre a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal) e as secretarias estaduais da Educação (Seduc) e da Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti). A iniciativa fomenta projetos de iniciação científica, tecnológica, inovação, empreendedorismo e economia criativa nas escolas públicas, concedendo bolsas a estudantes do ensino médio.
Na edição 2025, a rede estadual teve 68 projetos classificados para receber bolsas do programa, 15 a mais que em 2024, quando foram 53 trabalhos. O crescimento representa um aumento superior a 28% em relação ao ano anterior.
Ao todo, foram concedidas 1.000 Bolsas de Iniciação Científica Jr para estudantes e 100 bolsas para professores orientadores, totalizando um investimento de R$ 6 milhões em recursos do Tesouro Estadual. O valor das bolsas é de R$ 300 mensais para estudantes e R$ 1.500 para professores orientadores.
Exemplo que vem de dentro
Representando a Seduc no evento, o superintendente de Desenvolvimento do Ensino Médio, Ricardo Lisboa, percorreu a mostra e destacou que Alagoas vive um momento de "celebração do letramento científico". Ele ressaltou que o estado é o que mais incentiva a pesquisa jovem no Brasil, somando quase 10 mil bolsas ao integrar o Pibic Jr e o programa Professor Mentor. "Esse esforço busca levar a ciência para além da teoria, processando-a objetivamente no território e na sala de aula", afirmou.
O impacto desse investimento ficou evidente nos corredores do Centro de Inovação Jaraguá. Um exemplo é o projeto "Rios Invisíveis", da Escola Estadual Professor Edmilson Vasconcelos Pontes, que demonstra como a tecnologia de ponta pode ser incorporada à Educação Básica. O diferencial do projeto é o uso de ferramentas tecnológicas geralmente restritas ao ensino superior, permitindo que os jovens pesquisadores mapeiem áreas suscetíveis a inundações e deslizamentos. Isso gera subsídios fundamentais para mitigar riscos socioambientais e estimula o pensamento crítico sobre a realidade local.
Mellyzzah Melo, estudante e futura intercambista do programa "Daqui pro Mundo", resume o impacto da bolsa em sua trajetória: "O Pibic Jr me ajudou a me aprofundar na ciência e me deu oportunidades que eu nunca imaginei".
Para o professor orientador de Geografia Genisson Panta, o Pibic representa um investimento no futuro: "Ver esses jovens entrando na universidade com domínio de ferramentas que só veriam na graduação é o nosso maior prêmio. O grande fruto do Pibic Jr é ver os antigos alunos ingressando tanto em universidades públicas quanto privadas".