PARCERIA

Ufal é a primeira universidade federal do país a aderir ao Catalisa Gov

Publicado em 15/04/2026 às 09:59
Encontro marca início de um movimento inédito de inovação aberta em Alagoas

A Universidade Federal de Alagoas (Ufal) participou do Encontro de Inovação Aberta e Compras Públicas, promovido pelo Sebrae Alagoas, realizdo na segunda-feira (13), em Maceió. Essa iniciativa marca uma nova etapa na articulação entre universidade, gestão pública e ecossistema inovador no estado, além de integrar o programa Catalisa Gov, desenvolvido pelo Sebrae Nacional em parceria com o Sebrae Alagoas, e coloca a Ufal como protagonista em um movimento pioneiro no país. É a primeira instituição federal de ensino superior a aderir à metodologia, que propõe um novo modelo de contratação pública: em vez de comprar produtos prontos, o setor público passa a adquirir soluções inovadoras para problemas que ainda não têm resposta no mercado.

A proposta é simples no conceito, mas desafiadora na prática. Identificar um problema real, estruturar esse desafio e lançá-lo ao mercado para que startups e empresas proponham soluções inéditas. Essas soluções podem ser testadas e, caso apresentem bons resultados, contratadas de forma definitiva.

A programação do encontro reuniu principalmente professores, servidores técnicos e integrantes do comitê de inovação da Universidade Federal de Alagoas além de representantes do Sebrae, gestores públicos, consultores e atores ligados à inovação. De acordo com a analista do Sebrae Alagoas, Beatriz Batinga, o programa nasce justamente da necessidade de superar gargalos históricos da administração pública. Ela explica que muitos gestores ainda enfrentam dificuldades para inovar, seja por insegurança jurídica, seja pela falta de clareza sobre os próprios problemas.

“O Catalisa Gov foi estruturado para apoiar o setor público desde a definição dos desafios até a contratação das soluções. A gente percebeu que, muitas vezes, o gestor não sabe exatamente qual problema precisa resolver ou tem receio de inovar. Com essa metodologia, conseguimos organizar esse processo, trazendo segurança e conectando o poder público a soluções inovadoras do mercado”, afirmou.

O encontro marca a fase de imersão do programa, que inclui momentos de sensibilização e oficinas práticas para levantamento de desafios institucionais. A ideia é que, a partir desse diagnóstico coletivo, sejam definidos problemas estratégicos da universidade que poderão se transformar em editais de inovação.

Durante a programação, os participantes foram provocados a olhar para a gestão pública sob uma nova perspectiva. Em vez de buscar respostas imediatas, o foco esteve na construção de perguntas mais qualificadas.

“Antes de pensar em soluções, é preciso compreender profundamente os problemas”, com esta frase, o consultor, Teo Scalioni, da New Ventures, empresa credenciada ao Catalisa Gov, destacou que esse é um dos principais pontos de virada do processo. Segundo ele, inovar exige mudança de mentalidade e disposição para explorar o desconhecido. “A inovação começa pelo problema bem definido. Muitas vezes, a gente quer chegar logo na solução, mas o desafio maior está em entender o que precisa ser resolvido. Hoje é um dia de construção, em que a gente planta uma semente para desenvolver soluções mais assertivas no futuro”, explicou.

Outro diferencial do modelo do Catalisa Gov é a possibilidade de testar soluções antes da contratação definitiva, por meio das chamadas provas de conceito. Isso reduz riscos e permite que o poder público experimente alternativas inovadoras de forma segura e estruturada.

Além de melhorar a gestão pública, a iniciativa também abre novas oportunidades para empreendedores. Ao transformar desafios institucionais em editais, o programa cria um ambiente favorável para que startups e pequenos negócios apresentem soluções e acessem o mercado público.

Para a gerente da Unidade de Ambiente de Negócios do Sebrae Alagoas, Íria Almeida, esse movimento representa uma mudança significativa na lógica das compras públicas e no papel do Estado como indutor do desenvolvimento econômico. “Quando o poder público passa a comprar soluções inovadoras, ele não está apenas resolvendo um problema interno, mas também estimulando o mercado e gerando oportunidades para pequenos negócios. É uma forma de usar o poder de compra do Estado para impulsionar a economia e fortalecer o ecossistema de inovação”, destacou.

A Ufal, que já possui tradição na produção de conhecimento e soluções para a sociedade, agora se prepara para aplicar essa inovação dentro da própria instituição. Para Edson Ferreira, coordenador de Administração, Suprimentos e Serviços da Universidade, o programa representa uma oportunidade de alinhar a capacidade acadêmica às demandas internas da gestão.

“A universidade sempre produziu inovação para fora, atendendo empresas e a sociedade, mas muitas vezes não conseguia trazer essas soluções para dentro. Com o Catalisa Gov, a gente passa a olhar para os nossos próprios desafios e buscar soluções de forma estruturada, ao mesmo tempo em que estimula o surgimento de novas startups e fortalece o ecossistema local”, afirmou o gestor da Cass, da Pró-reitoria de Gestão Institucional (Proginst).

A expectativa é que, ao longo das próximas etapas, os desafios identificados sejam transformados em editais públicos, conectando a Ufal a empresas e startups capazes de desenvolver soluções sob medida para a instituição.

O Encontro de Inovação Aberta e Compras Públicas, realizado na segunda-feira (13), marca o início de um processo contínuo de inovação aberta em Alagoas. Um movimento que conecta universidade, governo e mercado em torno de um objetivo comum: transformar problemas reais em soluções concretas, com impacto direto na gestão pública e no desenvolvimento econômico do estado de Alagoas.