EDUCAÇÃO

Fapeal impulsiona estudantes em olimpíadas de Geografia e potencializa iniciação científica na educação básica

Por Tárcila Cabral/Ascom Fapeal Publicado em 14/04/2026 às 10:14
Na 10ª edição da Olimpíada Brasileira de Geografia (OBG), realizada em 2025, os alunos conquistaram 13 medalhas de ouro Acervo de Pesquisador


O incentivo à iniciação científica na educação básica tem gerado resultados expressivos entre estudantes da rede pública de Alagoas. Um destes exemplos é o projeto ‘Construindo um Clube de Ciência Geográfica: Projeto GEOVIC II’, apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal).

 

Desenvolvido no âmbito do Programa de Iniciação Científica Júnior (Pibic Jr), o estudo vem se destacando pelo desempenho dos alunos em olimpíadas do conhecimento e pela formação acadêmica promovida ao longo das atividades.

 

A pesquisa, vinculada à Trilha 4 ‘Equipes para as olimpíadas do conhecimento’, é orientada pelo professor Wellington Brito, com coorientação da psicóloga Beatriz Góis, e reúne 13 estudantes. A proposta vai além da preparação para competições, buscando desenvolver o pensamento científico e ampliar o repertório dos alunos por meio da geografia.

 

Segundo o orientador, o objetivo central do GEOVIC II é estimular a reflexividade científica entre os participantes: “As olimpíadas são uma oportunidade de desenvolver habilidades e competências que aprofundam os conhecimentos geográficos e ampliam o capital cultural dos alunos. Não se trata apenas de conquistar medalhas, mas de compreender o processo de construção do conhecimento”, explicou Wellington Brito.

 

Na 10ª edição da Olimpíada Brasileira de Geografia (OBG), realizada em 2025, os alunos conquistaram 13 medalhas de ouro, com todas as equipes posicionadas entre as melhores do estado. Uma delas, inclusive, representou Alagoas na fase final presencial da competição, realizada na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em São Paulo.

 

Para o professor, embora as conquistas sejam relevantes, o impacto mais significativo está na transformação vivenciada pelos estudantes. “Observamos avanços no desempenho escolar, na autoestima e na motivação para continuar os estudos. Isso repercute não só na vida dos alunos, mas também em toda a comunidade escolar”, destacou o geógrafo.

 

Além da participação nas olimpíadas, o projeto também promoveu experiências acadêmicas dentro da própria escola. Entre elas, a realização do II Seminário GEOVIC, sediado no Instituto Federal de Alagoas (IFAL), Campus Viçosa. O evento foi planejado e organizado pelos próprios alunos, que atuaram como protagonistas na condução de oficinas, minicursos e apresentações. Por isso o orientador frisa que os ganhos não se limitam às medalhas.

 

Da olimpíada à iniciação científica nacional

O legado do projeto também se reflete em novas conquistas acadêmicas. Três estudantes participantes do GEOVIC II, Larissa Casado, Mizaelly Cavalcante e Robert Shaid, foram selecionados para receber bolsas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), dando continuidade às suas trajetórias na pesquisa científica.

 

Os três integraram a equipe “Intermediários GEOVIC”, que conquistou uma vaga na fase final presencial da 10ª Olimpíada Brasileira de Geografia, realizada na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em São Paulo, um dos principais objetivos do projeto desde a sua concepção.

 

A seleção para a bolsa também chama atenção pelo alcance nacional. Apenas 100 estudantes foram contemplados em um universo que ultrapassou 100 mil participantes na olimpíada, dentro de uma política federal voltada à valorização de jovens com bom desempenho em competições acadêmicas, especialmente aqueles oriundos de escolas públicas e contextos sociais diversos.

 

A expectativa é que, ao longo de 2026, os estudantes deverão participar de atividades voltadas à área de pesquisas socioambientais e à Geografia, com foco em fundamentos de alfabetização científica e no uso de plataformas digitais de mapeamento.

 

As ações serão desenvolvidas em parceria com docentes e pós-graduandos da Universidade Federal de Alfenas (Unifal-MG) e da própria Unicamp, com acompanhamento dos professores orientadores das equipes.

 

Trajetórias que começam na escola pública

Quando questionada sobre a experiência no projeto, Larissa Casado cita que ela representou uma mudança significativa em sua vida pessoal e acadêmica. “Eu me tornei uma pessoa mais responsável e aprendi muito sobre trabalho em equipe. A pesquisa me ensinou a dizer ‘sim’ para as oportunidades. Hoje, não tenho mais medo de me comunicar em público e sinto vontade de compartilhar o que aprendi”, relatou a aluna.

 

Ela também destacou o impacto da seleção para a bolsa. “Foi uma felicidade muito grande. É mais uma confirmação de que o conhecimento pode nos levar longe, e isso me motiva a continuar me dedicando”, completou.

 

Robert Shaid também atribui ao Pibic Jr um papel decisivo em sua trajetória. “Passei a ter mais autonomia nos estudos e desenvolvi um pensamento mais crítico. O projeto foi a base de tudo que estou construindo hoje. Ser selecionado pelo CNPq foi um reconhecimento de todo o esforço e uma motivação para continuar na área acadêmica”, afirmou o bolsista.

 

Já Mizaelly Cavalcante ressaltou as transformações no olhar sobre a ciência. “Aprendi a ter mais organização, melhorar minha escrita e desenvolver o pensamento crítico. Como nosso professor diz, aprendi a ‘desnaturalizar o olhar’. Participar do projeto me fez enxergar a ciência como ela realmente é”, contou a estudante.

 

 

Ela também relembrou o início da trajetória no GEOVIC II. “Comecei como voluntária e poderia não ter aceitado, mas disse ‘sim’. Hoje, vejo o quanto isso fez diferença. A bolsa veio como uma surpresa e um sentimento de conquista”, disse ela.

 

De acordo com Wellington Brito, a participação dos alunos no Pibic Jr foi fundamental para esses resultados. “O apoio da Fapeal é essencial para que iniciativas como essa aconteçam. O programa garante condições para que os estudantes permaneçam e tenham êxito, além de estimular o interesse pela ciência desde cedo”, afirmou o orientador.