ELEIÇÕES

Pelas redes JHC exibe seu primeiro prefeito do interior que já era do PSDB e pouco muda o jogo estadual

Primeiro troféu de pré-candidato ao governo já estava na prateleira tucana; Manoel Tenório, gestor de Quebrangulo era o único prefeito tucano no Estado e foi eleito com apenas 5 votos de diferença para o oponente

Por Redação Publicado em 14/04/2026 às 08:08
Manoel Tenório, JHC e o vice de Quebrangulo; PSDB Unido

JHC tratou de apresentar nas redes sociais, nesta segunda-feira, 13 de abril, o apoio do prefeito de Quebrangulo, Manoel Tenório, como um sinal de avanço político após assumir o comando do PSDB em Alagoas. Na postagem, agradeço publicamente ao gestor e ao vice, numa tentativa de vender a imagem de mais adesões no interior. O problema é que, no caso concreto, o gesto tem mais valor simbólico do que especificamente eleitoral. Manoel Tenório já era filiado ao PSDB antes mesmo de JHC desembarcar no ninho tucano. Ou seja: mais do que uma conquista nova, o que houve foi uma demonstração de um apoio que o partido já possuía.

E o tamanho desse ativo político ajuda a dimensionar melhor a cena. Quebrangulo é um município pequeno. Segundo o IBGE, a cidade tem 11.080 habitantes. Já a Justiça Eleitoral registrada, nas eleições municipais de 2024, um eleitorado até de 10.470 votantes. É, portanto, um colégio eleitoral modesto dentro do mapa alagoano, incapaz, sozinho, de representar grande virada de capilaridade para um projeto majoritário estadual.
Quanto à localização, Quebrangulo costuma ser identificado, na divisão geográfica mais atual do IBGE, como município que aparece na Região Imediata de Palmeira dos Índios e na mesorregião do Agreste Alagoano.

O dado político mais relevante, porém, não é apenas no tamanho e localização da cidade, mas não há ambiente de disputa em que esse apoio é dado. Manoel Tenório venceu a eleição municipal de 2024 com 2.964 votos, o equivalente a 36,01% dos votos válidos, num cenário fragmentado. Ele teve apenas 5 votos a mais do seu oponente Emanoel Cardoso (MDB). Isso mostra que ele governa sob base competitiva e em município marcado por forte polarização local. Seu grupo não reina sozinho.

É justamente aí que entra Davi Maia, filho do saudoso prefeito Marcelo Lima, morto tragicamente no ano passado. Davi é ex-deputado estadual e segue como nome ativo no jogo político quebrangulense, já aparecendo no noticiário e nas redes como adversário do prefeito. Além disso, movimentos recentes indicam que Davi Maia mira a disputa para deputado federal em 2026. Em janeiro, ele rebateu publicamente declarações de Manoel Tenório sobre o ICMS Verde, e a cobertura política local já o trata como líder da oposição no município. Nas redes e em bastidores, também há registros de que seu nome é trabalhado para a eleição de outubro, o que transforma Quebrangulo em terreno de disputa, e não em reduto pacificado entregue a JHC.

O apoio dado por JHC, portanto, está longe de significar hegemonia. Ao contrário: ele se ancora num prefeito que já obteve o PSDB, com influência restrita a um município pequeno e inserido numa rivalidade local intensa. Em vez de demonstrar mais um reforço numa "onda de adesões", a postagem revela, por ora, a dificuldade do ex-prefeito de Maceió em apresentar musculatura mais robusta no interior alagoano. O “primeiro prefeito” indicado por JHC é, na prática, o mesmo prefeito que os tucanos já tinham antes - e em uma praça onde o apoio está longe de ser unanimidade.

No plano político, o movimento serve mais para alimentar a vitrine digital de JHC do que para comprovar força territorial real. A conta é simples: um partido que até pouco tempo tinha apenas um prefeito entre os 102 municípios do Estado continua, até aqui, dependendo de gestos de marketing para tentar converter a presença virtual em densidade eleitoral concreta. E Quebrangulo, embora importante como peça de narrativa, ainda não entrega o peso que uma pré-campanha ao governo precisa demonstrar.