CAFEICULTURA

Família assentada investe em cafeicultura na Zona da Mata de Alagoas

Por Ascom Incra Publicado em 06/04/2026 às 16:40
Família assentada investe em cafeicultura na Zona da Mata de Alagoas

A 70 quilômetros de Maceió, capital de Alagoas, André Souza, 40 anos, e Manoela Souza, 38 anos, assumiram o desafio de implantar a cultura do café no assentamento Chico Mendes/Bebidas, localizado no município de União dos Palmares. O casal trocou a cidade pelo campo com um plano ambicioso que envolve o cultivo do café, beneficiar o grão e mobilizar outras famílias.

André é mineiro da cidade de Mantena e desde 2011 mora no estado de Alagoas. Trabalhava na construção civil. Com a oportunidade de ingressar como beneficiário da reforma agrária, ele retomou uma atividade produtiva que fez parte de sua juventude e início da vida adulta e até hoje se mantém na família: o cultivo de café.

André, a esposa e a filha, de três anos, saíram de um bairro na periferia de Maceió e fixaram residência no assentamento Chico Mendes/Bebidas, que está situado numa região de relevo acidentado, com muitas serras, e clima frio e úmido. Começa, então, um novo capítulo na história dessa família.

A poucos metros da casa, construída com recursos do Incra, avistam-se as áreas de plantio do café, que, atualmente, compreendem 1,5 hectare e sete mil cafeeiros. Futuramente, André pretende ampliar a área plantada para cinco hectares. Ele utiliza a técnica de terraceamento, com a plantação em degraus, que se ajusta à declividade do terreno, facilita o trabalho do agricultor e diminui a erosão do solo. O lote da família está situado numa localidade com 400 metros de altitude.

“As características climáticas do assentamento propiciam as condições de cultivo do café em relação à altitude, clima e solo, favorecendo também que outros assentados invistam nessa produção”, avalia o superintendente do Incra Alagoas, Júnior Rodrigues, em visita ao assentamento. Rodrigues acrescenta que o tipo de grão escolhido, arábica, favorece a agricultura familiar pela perspectiva de retorno econômico em pequenas áreas de cultivo.

O agricultor tem mobilizado outras famílias do assentamento Chico Mendes/Bebidas e dos vizinhos Santa Maria II e Limão, também em União dos Palmares, a aderir ao cultivo de café. Até o momento, nesses três assentamentos, outras 12 famílias estão com aproximadamente 14 mil cafeeiros em seus lotes.

“Meu sonho sempre foi mexer com café. Além de estar fazendo o que eu gosto, com o café eu vejo o futuro e a esperança de ter algo melhor para mim, meus vizinhos e toda a região. Isso não tem preço”, sonha o agricultor, que está entusiasmado com essa nova etapa da vida.

Em seu lote, André e Manoela também instalaram viveiros de mudas de café. O trabalho já atingiu uma expressiva marca: eles possuem 40 mil unidades de mudas, todas já negociadas com outros assentados e agricultores familiares de cinco municípios alagoanos: União dos Palmares, Flexeiras, Santana do Mundaú, Murici e Jundiá.

Como a cafeicultura é uma atividade pouco desenvolvida na reforma agrária em Alagoas, o lote do casal tem atraído curiosidade e recebido muitas visitas de agricultores, associações rurais e instituições públicas, como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Do grão ao pó de café

André prevê que a colheita da primeira safra ocorra a partir de maio e se estenda até junho. Enquanto isso, tem se preparado para estruturar a atividade, de modo que consiga beneficiar os grãos colhidos do seu lote e dos vizinhos. Mais à frente, o plano é montar uma cooperativa.

Além do lote, o superintendente do Incra informa que o instituto fez a entrega do Contrato de Concessão de Uso (CCU) e a inscrição do assentamento Chico Mendes/Bebidas no Cadastro Ambiental Rural (CAR). O assentado também está inscrito no Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF). Esses documentos permitem acessar políticas públicas, como linhas de financiamento da autarquia e do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA). André deseja aderir a um financiamento pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), que tem modalidades com condições diferenciadas para famílias assentadas.

Esses recursos serão importantes na estruturação do lote. André iniciou a construção de um galpão para abrigar uma agroindústria. Já adquiriu um secador de grãos e uma máquina para descascar o café. As próximas aquisições serão máquinas para torrar e moer. A meta do agricultor é produzir o pó do café e criar uma marca própria. Para auxiliá-lo nesse objetivo, conta com a assessoria do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

Ainda neste ano, a família assentada se prepara para realizar um evento de degustação do primeiro lote de café torrado e moído.

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