Ufal convida sociedade a contribuir com memórias da Faculdade de Direito
Fotografias e relatos dos 95 anos de história podem ser enviados para compor memorial e livro comemorativo que serão lançados no dia 21 de maio
Quantas memórias cabem em 95 anos de história? Construída por estudantes, professores e colaboradores, a trajetória da Faculdade de Direito (FDA) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) reflete a consolidação de um dos cursos mais tradicionais do Nordeste. Para marcar a data, a instituição convida todos que fizeram parte dessa caminhada para contribuir com fotografias e registros que poderão integrar o memorial do curso e o livro comemorativo que serão lançados no dia 21 de maio.
Os interessados podem encaminhar as fotos, com relatos, para o e-mail [email protected], com cópia para [email protected]m, até o dia 1º de abril.
“Esse momento celebrativo dos 95 anos nos faz rememorar as pessoas que passaram por aqui e queremos saber mais. Muitos têm fotos guardadas em seus arquivos pessoais, ou de pais, avós, bisavós. É uma forma de institucionalizar e relembrar cada um que aqui passou. Então, quem tiver essas fotos, encaminhe para a gente e, quem sabe, elas podem integrar o livro dos 95 anos ou o nosso memorial”, convidou Elaine Pimentel, vice-diretora da FDA.
Curso de qualidade e lembranças marcantes
Entre essas memórias está a de Ivânia Barbosa Brêda, que cursou Direito entre os anos de 1962 e 1966 e, décadas depois, decidiu compartilhar com a universidade lembranças marcadas por afeto. “As memórias são muito presentes. Fomos recepcionados no prédio, que era lindo, reunia salas de aula, biblioteca, secretaria e espaços de convivência. Havia uma escadaria ornamentada que levava às salas dos últimos anos. Era tudo muito vivo, cheio de estudantes”, contou ao relembrar a antiga sede do curso, na Praça Montepio, em Maceió, hoje pertencente à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) – seccional de Alagoas.
Considerado um dos cursos mais disputados da época, a graduação em Direito já se destacava pela qualidade do ensino. “Era muito concorrido. O curso de Direito era um ponto forte do ensino superior, desde antes da Cidade Universitária”, afirmou Ivânia. Ela também destacou o papel social da formação: “Nosso trote, na Rua do Comércio, já trazia manifestações sobre os problemas sociais da época”, relembrou.
Ivânia também comentou sobre o perfil do curso: “Era mais teórico do que vejo hoje, mas um ensino que sempre foi de muita qualidade, com um corpo docente muito culto, que nos fazia refletir. Provas difíceis, em que o latim e o português eram muito exigidos”, contou. Entre os professores citados, estão Cyridião Durval, Joubert Scala, Paulo Duarte Quintella, Afrânio Lages, Sílvio de Macedo, Zeferino Lavenère Machado, Alfredo Gaspar de Mendonça, Jayme de Altavila e Antônio Guedes de Miranda, que hoje dá nome ao Centro Acadêmico do curso.
As lembranças também se refletem nas trajetórias profissionais construídas a partir da formação. “Nossa turma se destacou muito, era uma turma de ouro. Como a minha amiga Nelma Padilha, a primeira mulher a se tornar juíza em Alagoas. Muitos desembargadores, como Antônio Sapucaia, Orlando Manso, Netônio Bezerra Machado, que atuou por anos em Sergipe, além de juízes, advogados e promotores”, pontuou Ivânia. E completa: “Fizemos algumas reuniões comemorando a nossa turma, nossa formatura, em que eu sou uma das organizadoras. A última reunião foi a de 50 anos de formados. Este ano, faremos 60 anos e é uma oportunidade para nos reunir”, contou.
Revisitando o passado, Ivânia contribuiu com várias fotos de seu acervo pessoal, que mostram um pouco da recepção na Universidade, o trote e, sobretudo, o dia da formatura, em 8 de dezembro de 1966. “Foi um dia lindo, que me recordo com muita saudade e carinho. Iniciamos as comemorações com uma missa, às 8h da manhã, na Catedral de Maceió, e posteriormente fomos à sede da Faculdade, onde entrei com meu pai, Valdomiro Barbosa, que também me deu o anel. O título de bacharel foi pelas mãos do diretor Silvio de Macedo. À noite, nosso baile de formatura, no Clube Fênix Alagoana, onde as mulheres estavam todas de branco, e onde dancei a primeira valsa com o meu marido, Dacy Brêda”, finalizou emocionada.
Convite à sociedade
Memórias e fotografias como a de Ivânia são o foco das ações comemorativas do aniversário de 95 anos da Faculdade de Direito de Alagoas da Ufal, a ser celebrado neste ano. A FDA está organizando a criação de um memorial, que reunirá documentos históricos e fotografias de diferentes épocas. A iniciativa é coordenada pela vice-diretora Elaine Pimentel, com apoio da diretora do Museu Théo Brandão, Hildênia Oliveira.
Participe!