SEGURANÇA

Polícia Civil desarticula fazendas de mineração ilegal de criptomoedas em Porto Real do Colégio

Estruturas clandestinas usavam furto de energia e captação irregular de água do Rio São Francisco

Publicado em 11/01/2026 às 08:28

A Polícia Civil de Alagoas (PCAL) desarticulou, nesta sexta-feira (09), quatro fazendas de mineração ilegal de criptomoedas instaladas na zona rural do município de Porto Real do Colégio, no interior do estado. A operação foi conduzida pela Diretoria de Inteligência Policial (Dinpol), com apoio tático-operacional da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE).

Durante a ação, os policiais localizaram e apreenderam equipamentos tecnológicos de alta performance, utilizados especificamente na atividade conhecida como mineração de criptomoedas. O processo consiste na resolução e validação de equações matemáticas complexas, que resultam na geração de moedas digitais com elevado valor comercial.

As investigações apontaram que as estruturas funcionavam por meio de furto de energia elétrica em larga escala, com ligações diretas e clandestinas à rede de distribuição, além de bombeamento irregular de água do Rio São Francisco, utilizado para resfriar as máquinas e garantir o funcionamento contínuo dos equipamentos.

De acordo com o delegado Thales Araújo, diretor da Dinpol, a mineração de criptomoedas não é ilegal por si só, mas as condições identificadas na operação configuram crime. Segundo ele, todas as estruturas estavam conectadas por meio de ligações clandestinas, conhecidas como “gatos”. O consumo ilegal de energia era tão elevado que provocava instabilidade e picos na rede elétrica da região, causando a queima de eletrodomésticos e prejuízos à população.

O delegado explicou ainda que uma operação de mineração regularizada exige alto investimento em maquinário e elevados custos de manutenção. No caso investigado, a estrutura desarticulada consumia cerca de 200 mil kWh, o equivalente ao consumo moderado de aproximadamente mil residências. O prejuízo mensal estimado com energia furtada chega a R$ 155 mil, totalizando cerca de R$ 750 mil em apenas cinco meses de atividade ilegal.

Ainda segundo a Polícia Civil, esse tipo de prática criminosa costuma estar associado a outros delitos, como sonegação fiscal e lavagem de dinheiro, que seguem sob investigação.

As apurações continuam com o objetivo de identificar todos os envolvidos e responsabilizá-los criminalmente.