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Egressa da Ufal é primeiro lugar em doutorado na Federal de Santa Catarina

Joiciane Santos fez graduação e mestrado em Arquitetura pela Ufal; sonho de ser docente cada vez mais perto

Por Redaçaõ com Jacqueline Freire - jornalista Publicado em 08/01/2026 às 08:15
Joiciane Santos. arquiteta pela Ufal, é primeiro lugar no doutorado na UFSC

Uma carreira acadêmica sendo trilhada com sucesso, rumo à docência. Esse é o caminho de Joiciane Santos, formada em Arquitetura pela Ufal, ela cursou a graduação no Campus Arapiraca (2022) e o mestrado no Campus A.C. Simões (2024) em Maceió. Hoje, segue para o doutorado na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), onde alcançou a primeira colocação na seleção.

Para a pesquisadora, a ida para outro estado é uma forma de ampliar a produção científica, integrar redes de pesquisa e desenvolver projetos que dialoguem com demandas sociais concretas, sobretudo as relacionadas à habitação, à inclusão e à qualidade do ambiente construído. Tudo isso sem esquecer as raízes: “Considero a possibilidade de retornar à Ufal como docente, como forma de retribuir à instituição tudo o que ela representou na minha formação durante a graduação e o mestrado. Vejo esse retorno como uma oportunidade de contribuir para a formação de novos profissionais e para o fortalecimento de um ensino coletivo, sensível e comprometido com o papel social da Arquitetura e do Urbanismo”, almeja.

Uma história marcada para o sucesso. Joiciane já na graduação, atuou como bolsista integrando a equipe da Gerência de Tecnologia da Informação (GTI). No mestrado, foi bolsista BDI (Bolsista de Desenvolvimento Institucional) vinculada ao Museu Theo Brandão (MTB) e da Fapeal, além de ter participado do desenvolvimento do projeto preliminar do Anexo do Museu Theo Brandão, contribuindo para discussões técnicas e conceituais voltadas à qualificação do espaço cultural.

“A Universidade Federal de Alagoas teve um papel central e estruturante na minha trajetória acadêmica e profissional. Foi na Ufal que construí minha formação desde a graduação até o mestrado, desenvolvendo não apenas competências técnicas e científicas, mas também uma compreensão crítica sobre o papel social da arquitetura e do urbanismo”, lembra.

Segundo ela, a universidade pública se consolidou, ao longo desse percurso, como um espaço de acesso ao conhecimento, de produção científica comprometida com a realidade local e de formação cidadã. Além disso, para Joiciane, participar do grupo de pesquisa Intersecções entre o Design e o Ambiente Construído (Idea), foi fundamental para o amadurecimento teórico, metodológico e crítico de sua pesquisa. “A participação em projetos institucionais, atividades de extensão, eventos científicos e ações de ensino reforçou a articulação entre pesquisa, prática profissional e compromisso social”, diz.

Natural de Feira Grande-AL, ela conta que seu primeiro contato com a perspectiva de ser docente foi logo na graduação, quando atuou como monitora em algumas disciplinas. “Essa vivência foi decisiva para compreender o trabalho docente na prática e reconhecer a sala de aula como um espaço de troca, construção coletiva e aprendizado mútuo”, afirma.

No mestrado, já em Maceió, Joiciane consolidou a formação acadêmica marcada pelo aprofundamento teórico, metodológico e crítico da pesquisa em Arquitetura e Urbanismo. Além de participar ativamente de eventos científicos de relevância na área, ela procurou estar presente nas publicações em periódicos científicos, com destaque para a Revista Interfaces Científicas – Educação, a Revista Geometria Gráfica e o Caderno Pedagógico, contribuindo para a difusão dos resultados da pesquisa e para o fortalecimento da produção acadêmica nas áreas da Arquitetura, do Design e da Educação.

Construindo e já consolidando sua formação, a pesquisadora também atuou, durante o mestrado, em projetos institucionais no âmbito da universidade, destacando-se a participação no projeto do Edifício Anexo “Edifício Tânia de Maya Pedrosa”, do Museu Théo Brandão, sob a coordenação da diretora do museu, Hildênia Oliveira. “O projeto contempla uma edificação com quatro pavimentos e aproximadamente 2.500 m², destinada a atividades expositivas, educativas, culturais e acadêmicas, incluindo espaços voltados à valorização da cultura alagoana, à difusão dos saberes da cultura popular e à Pós-Graduação em Práticas Culturais Populares”, revela.

Nesse mesmo contexto institucional, ela desenvolveu o projeto da guarita do Campus Arapiraca, realizado como um trabalho voluntário, integralmente doado à Universidade, evidenciando o compromisso com o ensino público e com a qualificação dos espaços de uso coletivo.

“O mestrado constituiu, assim, um período decisivo de formação acadêmica e profissional, no qual a produção científica, a participação em eventos nacionais, as experiências institucionais e a atuação em ensino contribuíram diretamente para a consolidação do meu percurso na pesquisa e para a decisão de seguir na carreira acadêmica”, completa.

Bienal

O trabalho no mestrado foi tão bem reconhecido que resultou no livro “Com a gente, por inteiro: a percepção de pessoas com deficiência na circulação urbana do Campus A.C. Simões da Ufal”, resultado da dissertação, desenvolvida em coautoria com a professora e orientadora Thaisa Francis Sampaio.

A publicação do livro permitiu ampliar o alcance da pesquisa, estabelecendo diálogo não apenas com a comunidade acadêmica, mas também com o público em geral.

“A recepção durante a 11ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas foi extremamente positiva e marcante. O lançamento contou com o apoio da Edufal e com financiamento da Fapeal, o que reforçou o papel da universidade pública na difusão do conhecimento. O contato com leitores interessados no tema e a troca de experiências durante o evento evidenciaram a dimensão social da pesquisa e a importância de investigações comprometidas com acessibilidade, inclusão e escuta sensível das pessoas com deficiência”, destaca.

De mudança para a região Sul do Brasil, ela mantém o foco. “A UFSC sempre foi uma referência importante para mim no momento de planejar o doutorado. O PósArq – Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo é um programa consolidado e bem avaliado, com nota 5 pela Capes, e o que mais pesou na minha escolha foi a forte afinidade com a linha de pesquisa, especialmente com o Laboratório de Psicologia Ambiental, além da proposta de orientação, que dialoga diretamente com os temas que venho desenvolvendo ao longo da minha trajetória acadêmica”, comenta.

Seu projeto investiga como a Inteligência Artificial, articulada aos fundamentos da Psicologia Ambiental e da Neuroarquitetura, pode contribuir para processos de design generativo aplicados à habitação, especialmente em áreas de expansão urbana de Maceió. “O estudo busca compreender como o ambiente construído influencia percepções, comportamentos, emoções e bem-estar, e de que forma essas dimensões podem ser incorporadas ao processo projetual por meio da integração entre dados objetivos, como informações ambientais, espaciais e tipológicos, e dados subjetivos, relacionados às experiências cotidianas dos moradores”, explica.

Sucesso, Joiciane, a Ufal te espera!

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