Projeto Recife Cidade Parque promove aula de campo no Parque das Graças
Iniciativa, fruto de parceria entre a UFPE e Prefeitura do Recife, estimula estudantes a compreender a relação entre cidade e natureza e a refletir sobre soluções para os desafios das mudanças climáticas
Como preparar o Recife para os desafios das mudanças climáticas? Essa é uma das questões que orientam a Disciplina Eletiva Recife Cidade Parque, iniciativa que aproxima estudantes da realidade urbana e ambiental da capital pernambucana e incentiva a participação das novas gerações na construção de soluções para o futuro da cidade.
Fruto de uma parceria entre a Prefeitura do Recife e a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a disciplina integra o projeto de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação Recife Cidade Parque - Plano de Qualidade da Paisagem e utiliza a educação como ferramenta para ampliar a compreensão sobre a relação entre cidade e natureza. Nesta segunda-feira (19), a partir das 14h, estudantes do Instituto Capibaribe participarão de uma aula de campo no Parque das Graças, onde poderão observar, na prática, aspectos da paisagem urbana e conhecer os conceitos que orientam o projeto.
Voltada para estudantes dos anos finais do Ensino Fundamental, a disciplina propõe uma abordagem prática e participativa da educação ambiental e urbana. Por meio de aulas teóricas, dinâmicas, oficinas e atividades de campo, os alunos são estimulados a observar o território onde vivem e refletir sobre temas como rios, áreas verdes, mobilidade, espaços públicos, urbanização, mudanças climáticas e qualidade de vida.
A proposta é desenvolver o pensamento crítico e mostrar como crianças e adolescentes também podem contribuir para a construção de uma cidade mais inclusiva, saudável, sustentável e preparada para os impactos das mudanças climáticas.
“A proposta é estimular os estudantes não apenas a conhecer o passado e o presente da cidade, mas também a imaginar como pode ser o seu amanhã. Eles são convidados a olhar para os problemas urbanos e ambientais e perceber que também podem participar da construção das soluções”, explica Deborah Echeverria, coordenadora do Eixo de Comunicação do Recife Cidade Parque e uma das idealizadoras da disciplina.
A iniciativa começou em 2024, com um projeto-piloto realizado na Escola Municipal Nilo Pereira, em Casa Amarela. Os resultados da experiência possibilitaram a ampliação da proposta. Em 2025, o projeto avançou para a formação de professores de Geografia da Rede Municipal de Ensino e para a implantação da disciplina eletiva nas escolas integrais de Anos Finais da rede pública.
No segundo semestre de 2026, a iniciativa iniciou uma nova etapa de expansão, chegando também à rede privada. O Instituto Capibaribe foi o primeiro colégio particular a adotar a disciplina. Na instituição, estudantes dos sétimos anos participam de uma programação que reúne encontros teóricos, oficinas e atividades de campo em parques do Recife.
Acompanhadas por pesquisadores do projeto, as vivências permitem relacionar os conteúdos trabalhados em sala de aula às características dos espaços públicos, estimulando a observação da paisagem e a reflexão sobre os desafios ambientais e urbanos da cidade.
A metodologia pedagógica tem como referência os princípios da Aprendizagem Criativa, desenvolvida pelo pesquisador Mitchel Resnick, que valoriza os processos de imaginar, criar, brincar, compartilhar e refletir. Com essa abordagem, os estudantes assumem um papel ativo na aprendizagem, sendo incentivados a formular perguntas, experimentar ideias e construir conhecimentos a partir das próprias experiências e observações.
“As maiores causas do aquecimento global têm origem nas cidades e, para enfrentarmos os desafios ambientais, é necessária uma mudança de paradigma em relação à forma como vivemos no ambiente urbano. O Recife precisa se reinventar para superar essas dificuldades, e sua reinvenção só acontecerá com a participação de todas e todos”, afirma Deborah Echeverria.
Recife Cidade Parque: uma visão de futuro para 2037
A disciplina está alinhada ao objetivo do projeto Recife Cidade Parque de contribuir para a transformação da capital pernambucana em uma cidade-parque até 2037, ano em que o Recife completará 500 anos. Por meio da parceria entre a Prefeitura do Recife e a UFPE, a iniciativa reúne pesquisa, planejamento e ações educativas voltadas à busca de soluções para os desafios urbanos e ambientais, com atenção especial aos efeitos das mudanças climáticas e à qualidade de vida da população.
O conceito de cidade-parque propõe um Recife mais conectado à natureza, estruturado a partir de uma rede azul-verde que integra os rios Capibaribe, Beberibe e Tejipió, a frente marinha, os parques, as áreas verdes e os corredores ambientais.
Entre as estratégias estudadas estão a recuperação da vegetação, a ampliação das superfícies permeáveis, a melhoria do escoamento das águas pluviais, a criação de áreas mais frescas e a valorização de diferentes formas de mobilidade.
Nesse contexto, a educação é considerada fundamental para aproximar a população das discussões sobre o planejamento e a transformação da cidade. Ao levar esses temas para as escolas, o Recife Cidade Parque busca ampliar a consciência ambiental dos estudantes e estimular o envolvimento das novas gerações na construção de um Recife mais resiliente, sustentável e preparado para o futuro.
Mais de 100 pesquisadores integram o projeto Recife Cidade Parque, que reúne estudos e ações em três grandes eixos: Paisagem, Infraestrutura e Oceanografia.