Novas dietas podem elevar eficiência na produção de leite
Especialista da USP apresenta no dia 8 de outubro novas abordagens para a nutrição de vacas leiteiras durante Simpósio em Chapecó
A alimentação de vacas leiteiras envolve uma combinação que vai além da quantidade de nutrientes oferecida aos animais. Qualidade das forragens, equilíbrio entre fibra e amido e características próprias dos sistemas de produção brasileiros interferem na formulação das dietas e, consequentemente, no desempenho do rebanho. Esses fatores estarão em discussão no 15º Simpósio Brasil Sul de Bovinocultura de Leite (SBSBL), em Chapecó, promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet) de 6 a 8 de outubro.
O professor da Universidade de São Paulo (USP), médico-veterinário e doutor em Zootecnia Francisco Palma Rennó, apresentará a palestra “Alimentação de vacas leiteiras no Brasil – novas abordagens e tecnologias para otimização da produção”, às 10h30 do dia 8 de outubro, durante o painel de Nutrição de Alta Performance.
Um dos pontos destacados por Rennó será justamente a necessidade de analisar a nutrição a partir das condições encontradas no Brasil. Segundo o pesquisador, existem diferenças entre os desafios enfrentados pelos sistemas brasileiros e aqueles presentes nos Estados Unidos e na Europa. Essa realidade exige critérios próprios para avaliar os ingredientes e definir estratégias alimentares.
A qualidade da forragem estará entre os principais aspectos da palestra. Rennó abordará o uso da chamada fibra em detergente neutro indigestível (FDNi) como indicador para avaliar alimentos destinados ao rebanho, especialmente a silagem de milho.
Em termos práticos, a FDNi representa a parcela da fibra que não é digerida pelo animal. Quanto maior essa fração, menor tende a ser o aproveitamento daquela parte da forragem. Compreender essa característica permite avaliar de forma mais precisa a qualidade do alimento oferecido às vacas e ajustar a composição da dieta.
Debate
A relação entre fibra e amido também receberá atenção. O pesquisador apresentará dados nacionais para discutir como esses componentes podem ser combinados na alimentação de vacas leiteiras. O desafio está em formular dietas que respeitem as necessidades do animal e aproveitem adequadamente os alimentos disponíveis nos sistemas brasileiros.
Outro tema será a utilização dos carboidratos não fibrosos, grupo que inclui componentes de rápida utilização pelo organismo e que exerce influência sobre a formulação das dietas. A proposta é organizar essa discussão para facilitar a tomada de decisão no campo, sem tratar os componentes da alimentação de forma isolada.
A palestra ainda apresentará tecnologias voltadas à redução da fração indigestível da fibra nas forragens. O assunto integra uma área de pesquisa que procura ampliar o aproveitamento dos alimentos e aprimorar as estratégias nutricionais utilizadas nas propriedades leiteiras.
“A combinação desses fatores mostra como a nutrição passou a exigir análises cada vez mais precisas. Não existe uma única fórmula aplicável a todas as propriedades. Tipo e qualidade da forragem, composição da dieta e características do sistema produtivo precisam ser considerados conjuntamente”, destaca Rennó.
Professor titular do Departamento de Nutrição e Produção Animal da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP, Francisco Palma Rennó é médico-veterinário, mestre e doutor em Zootecnia, com atuação concentrada em produção e nutrição de bovinos leiteiros. É bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq – Nível 1A e possui mais de 160 artigos publicados em periódicos especializados.
Simpósio
A palestra integra a programação comemorativa dos 15 anos do SBSBL. O encontro ocorrerá no mês em que a entidade completa 55 anos. Ao longo dos três dias, especialistas do Brasil e do exterior discutirão sistemas de produção, sanidade e reprodução, gestão e qualidade do leite e nutrição de alta performance.