FORMAÇÃO

Trilha gratuita oferece formação para agentes culturais de comunidades tradicionais de Alagoas

Com 100 horas de formação, certificado e conteúdos sobre projetos culturais, editais, gestão, comunicação e prestação de contas, percurso é voltado para quem atua nos territórios

Por Instituto Magna Mater Publicado em 14/09/2026 às 15:14
Trilha gratuita oferece formação para agentes culturais de comunidades tradicionais de Alagoas Tatiane Almeida

Quem faz cultura dentro das comunidades tradicionais conhece, na prática, a força que existe em um território, mas também os desafios para transformar iniciativas culturais em projetos, acessar editais e garantir a continuidade das ações. É pensando nessa realidade que o Instituto Magna Mater oferece uma trilha gratuita de capacitação voltada para Agentes Comunitários Culturais.

Com 100 horas de formação e dez módulos, a trilha será realizada de forma online, entre 26 de setembro e 4 de dezembro, reunindo aulas, monitorias e mentorias. Ao final, os participantes que concluírem a formação receberão certificado.

A proposta é oferecer ferramentas que possam ser aplicadas no cotidiano de quem atua em comunidades tradicionais, aproximando conhecimento técnico das experiências e saberes já existentes nos territórios.

A formação é voltada para pessoas que desenvolvem ou articulam ações culturais em comunidades quilombolas, povos indígenas, povos ciganos, comunidades de terreiro, comunidades pesqueiras e marisqueiras, povos ribeirinhos, capoeristas e outros povos e comunidades tradicionais de Alagoas.

Para a diretora executiva do Instituto Magna Mater, Patrícia Mourão, a formação reconhece que os territórios já são espaços de produção de conhecimento, cultura e saberes, mas que muitos agentes ainda encontram dificuldades para acessar editais, recursos e ferramentas de gestão capazes de transformar suas iniciativas em projetos estruturados e sustentáveis.

“Quem está numa comunidade tradicional não começa a fazer cultura quando aparece um edital. A cultura já está ali, na memória, na tradição, na música, na dança, na religiosidade, no artesanato, nos modos de viver e de se organizar. O que muitas vezes falta é acesso às ferramentas para transformar tudo isso em um projeto, inscrever, executar e prestar contas. A nossa intenção é justamente aproximar essas ferramentas de quem já faz cultura no território”, explica.

A trilha foi estruturada para percorrer diferentes etapas da atuação cultural. Entre os conteúdos estão Economia Criativa e Ações Culturais Comunitárias, Interpretação de Editais de Fomento Cultural, Elaboração de Projetos Culturais I e II, Construção do Plano de Trabalho, Portfólio Cultural e Currículo Artístico, Gestão de Projetos Culturais, Gestão Financeira e Elaboração de Orçamento, Comunicação, Marketing Cultural e Divulgação e Prestação de Contas de Projetos Culturais.

A proposta é ajudar os participantes a compreenderem os caminhos da política cultural e reconhecerem o valor das iniciativas que já desenvolvem em suas comunidades.

“Eu gosto de pensar nessa formação como uma ponte. De um lado, temos os saberes, as histórias e as práticas culturais que existem nos territórios. Do outro, estão os editais, os instrumentos de fomento, a gestão e as políticas públicas. A gente quer ajudar essas duas coisas a se encontrarem. Não é ensinar uma comunidade a fazer cultura. Ela já faz. É oferecer condições para que essa cultura também possa acessar recursos, ocupar espaços e construir novas possibilidades”, afirma Patrícia.

A formação também busca trabalhar a autonomia dos participantes. Ao longo dos módulos, os agentes terão contato com conhecimentos que podem contribuir para o planejamento, a execução e a avaliação de ações culturais, além da organização financeira e da comunicação de seus projetos.

“Quando uma pessoa aprende a interpretar um edital, elaborar um projeto, organizar um orçamento e fazer uma prestação de contas, ela não aprende apenas uma tarefa burocrática. Ela passa a enxergar possibilidades que talvez antes parecessem distantes. Isso pode fazer diferença para uma comunidade inteira, porque aquele conhecimento não fica necessariamente com uma pessoa. Ele circula”, pontua a diretora.

Formação construída para os territórios

A trilha terá duas opções de turma. Na primeira, as aulas serão aos sábados, das 15h às 17h, com monitorias às segundas e terças-feiras, das 19h às 21h, e mentorias às quartas e quintas-feiras, também das 19h às 21h.

Na segunda turma, as aulas acontecerão às segundas-feiras, das 19h às 21h. As monitorias serão realizadas às terças e quartas-feiras, das 19h às 21h, e as mentorias às quintas e sextas-feiras, no mesmo horário.

A formação integra uma iniciativa realizada com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura, operacionalizado pelo Governo de Alagoas, por meio da Secretaria de Estado da Cultura e Economia Criativa.

As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas até 23 de setembro, pelo site institutomagnamater.org.br/capacitacao. A formação terá 100 horas de atividades e os participantes que cumprirem os requisitos previstos receberão certificado de conclusão.

Para Patrícia, investir na formação de agentes que atuam diretamente nos territórios também significa ampliar a capacidade das próprias comunidades de contar suas histórias e conduzir seus projetos.

“Existe uma potência enorme nas comunidades tradicionais de Alagoas. São pessoas que preservam conhecimentos, movimentam a economia local, mantêm tradições e criam cultura todos os dias. Quando esse agente cultural passa a ter mais ferramentas para organizar uma ideia e acessar uma política pública, não é só ele que ganha. O território inteiro ganha capacidade de decidir o que quer fazer com a própria cultura”, conclui.