CULTURA

Galeria de Artes Visuais da PUC-Campinas recebe a exposição “Nefelibata”, de Hélio Schonmann

Mostra reúne trabalhos recentes do artista e propõe reflexões sobre o ser humano, o movimento e as relações entre céu, tempo e transformação

Por Assessoria Publicado em 02/09/2026 às 16:03
Galeria de Artes Visuais da PUC-Campinas recebe a exposição “Nefelibata”, de Hélio Schonmann

PUC-Campinas recebe, a partir desta quinta-feira 3 de setembro, a exposição "Nefelibata", do artista visual Hélio Schonmann, na Galeria de Artes Visuais, no Campus I da Universidade. A abertura será realizada às 20h50, com curadoria do Prof. Dr. Paulo de Tarso Cheida Sans, docente da Faculdade de Artes Visuais, da Escola de Arquitetura, Artes e Design (EAAD). A mostra reúne pinturas recentes que exploram diferentes dimensões da experiência humana e estabelecem relações simbólicas entre o céu, as nuvens, o movimento e a transformação.

O termo "Nefelibata" significa "aquele que anda nas nuvens" e pode designar uma pessoa idealista ou que vive desconectada da realidade. Na série, o conceito é ampliado para contemplar dimensões físicas, emocionais, cognitivas e sociais. Segundo o artista, as obras apresentam mensagens visuais centradas no ser humano, extrapolando o corpo físico para abordar possibilidades relacionadas à consciência, à afetividade e às vivências culturais.

Para o curador, a escolha da série dialoga tanto com o momento atual da produção de Schonmann quanto com a trajetória construída pelo artista ao longo de décadas. O título “Nefelibata” remete ao céu e às nuvens, elementos que, na leitura de Cheida, evocam a passagem do tempo e os processos de transformação.

“Como se fosse um elo com o céu, com as nuvens, e ao mesmo tempo estar participando de movimentos que a nuvem também representa: o tempo, que não para. Sempre está em movimento, em transição, se transformando”, explica o professor.

Técnica e experimentação

Além da dimensão temática, a exposição permite ao público conhecer o processo técnico desenvolvido pelo artista. As pinturas são realizadas em suportes preparados individualmente por Schonmann. Parte das obras utiliza juta crua, impermeabilizada com gelatina de origem animal para receber a tinta a óleo. Para os trabalhos em têmpera acrílica, são utilizados painéis preparados com produtos sintéticos.

A escolha da juta, segundo Cheida, também evidencia a habilidade técnica do artista. Por ser um material de trama mais grossa e de maior dificuldade para a pintura, o suporte exige domínio dos materiais e dos procedimentos empregados.

“Dificilmente as pessoas vão enxergar um trabalho pintado em juta, como ele fez. Então é um exímio pintor, conhecedor de meios técnicos muito grande”, destaca o curador.

As imagens são construídas inicialmente a partir de tramas de pinceladas realizadas em uma única sessão, preservando a espontaneidade do gesto. Na sequência, Schonmann trabalha com veladuras transparentes, sobrepondo camadas finas e translúcidas de tinta. O procedimento produz diferentes efeitos de profundidade, luminosidade e textura e exige precisão no controle dos materiais.

O processo artesanal também se estende à preparação dos próprios suportes. “Produzo esses suportes um a um, o que garante total controle sobre variáveis como cor de fundo, absorção e textura”, explica o artista.

Arte e formação

A presença da exposição na Galeria de Artes Visuais da PUC-Campinas também se relaciona à proposta de aproximar os estudantes da produção de artistas com trajetória consolidada no campo das artes visuais. Para Cheida, apresentar o trabalho de Schonmann no espaço contribui para ampliar o contato dos alunos com diferentes possibilidades de criação e com os procedimentos técnicos da pintura.

“A escolha do nome do Hélio Schonmann para essa galeria da Faculdade de Artes Visuais tem um foco muito grande também para os nossos alunos do curso, mas também para o público de modo geral, porque realmente é um artista profissional”, afirma.

Com trajetória iniciada na década de 1970, Schonmann reúne experiências como artista, curador e professor. Entre suas atuações, destaca-se o trabalho como orientador de Artes Plásticas do Museu Lasar Segall, em São Paulo. Ao longo da carreira, realizou exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior e desenvolveu trabalhos em diferentes linguagens e materiais.

Sua produção integra acervos de instituições públicas e privadas, entre elas a Pinacoteca do Estado de São Paulo, o Museu de Arte Contemporânea Itajahy Martins, em Botucatu (SP), o Museu Olho Latino, em Hortolândia (SP), a Pinacoteca Aldo Locatelli, em Porto Alegre (RS), e o Museu do Estado de Pernambuco, em Recife (PE).

O artista Hélio Schonmann estará presente na PUC-Campinas para conversar com os estudantes de Artes Visuais. Após a abertura da exposição, ele participará de um encontro no prédio H7, com uma breve palestra sobre a exposição, compartilhando aspectos do processo de criação, das técnicas utilizadas e das propostas que orientam as obras.

A exposição “Nefelibata” dá continuidade à relação do artista com a Galeria de Artes Visuais da PUC-Campinas, onde Schonmann já apresentou a exposição “Avessos”, em 2014. A nova mostra reúne, assim, uma produção recente de um artista de longa trajetória e oferece ao público a oportunidade de observar, de perto, não apenas os temas presentes em sua obra, mas também os processos, materiais e escolhas técnicas que constituem sua linguagem artística.

Serviço

Exposição “Nefelibata”, de Hélio Schonmann

Abertura: Quinta-feira, 3 de setembro, às 20h50

Período de visitação: 3 a 18 de setembro

Local: Galeria de Artes Visuais da Faculdade de Artes Visuais da PUC-Campinas - Prédio H7, Campus I

Entrada: Gratuita