CULTURA

Festival de Teatro de São Paulo traz sucessos e novidades

Eventos ocorrem de 1º a 27 de setembro em diversos espaços da capital paulista

Por Estadao Conteudo Publicado em 01/09/2026 às 11:07
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

Entre esta terça, 1º, e a quinta, 3, a atriz Débora Falabella inicia sua despedida temporária do monólogo Prima Facie, que há dois anos e meio tem atraído públicos por todo o Brasil, especificamente no palco do BTG Pactual Hall. Sob a direção de Yara de Novaes, o texto da australiana Suzie Miller narra a história de uma advogada que encontra brechas na lei para absolver clientes, incluindo abusadores sexuais, até que se torna vítima de um deles e enfrenta o outro lado da justiça. "É muito bonito ver uma história tão forte alcançar tanta gente e, no Festival do Curitiba do ano passado, por exemplo, fizemos duas sessões que ultrapassaram 5.000 espectadores", declara Débora. "Os festivais têm o poder de mobilizar pessoas de uma maneira diferente porque, em um curto espaço de tempo, é possível ver coisas muito diversas."

Prima Facie é o espetáculo de abertura do Festival de Teatro de São Paulo, realizado pela produtora carioca Aventura, de Aniela Jordan e Luiz Calainho. O evento ocupa quatro espaços culturais na capital paulista de 1º a 27 de setembro e traz 23 montagens em 50 apresentações, que poderão ser vistas no BTG Pactual Hall, na Sala EMS (antigo complexo do Teatro Alfa, em Santo Amaro), na Arena B3, no centro histórico, e no Teatro Youtube - Sala Eva Herz, na Avenida Paulista.

Esta é a primeira edição paulistana do festival, que já teve duas edições bem-sucedidas no Rio de Janeiro. A programação apresenta sucessos recentes e também serve como vitrine para novos talentos, mapeando as melhores produções da cena brasileira. Aniela Jordan admite ter ficado surpresa com a adesão do público nas edições cariocas e considera natural a expansão para São Paulo. "O objetivo é fazer um resumo dos melhores do ano e comprovamos que o público não se esgota quando o espetáculo é bom", afirma Aniela. "O Rio não tinha até então uma grande mostra e os festivais de São Paulo possuem curadorias mais intelectualizadas que nem sempre atendem aos interesses de um público amplo."

Dentre as atrações estão Ficções, um monólogo com a atriz Vera Holtz, dirigido por Rodrigo Portella, e (Um) Ensaio Sobre a Cegueira, do Grupo Galpão. Apresentações como Um Dia Muito Especial, com Reynaldo Gianecchini e Maria Casadevall, e a versão de Novas Diretrizes em Tempos de Paz, dirigida por Eric Lenate, também fazem parte da programação, assim como o monólogo Macacos, de Clayton Nascimento, que apresenta novas oportunidades ao público paulistano.

O festival homenageia o ator Othon Bastos, de 93 anos, que retorna à cidade com o solo Não me Entrego, Não!, uma tocante reconstituição de sua carreira, prevista para encerrar o festival nos dias 26 e 27 no BTG Pactual Hall.

Como curadora, Maria Siman destaca a pluralidade das temáticas que envolvem a programação, um diferencial na escolha dos espetáculos, considerando que muitos festivais costumam adotar conceitos mais fechados. "O nosso primeiro pensamento é promover a comunicação entre artistas e público e sair do perfil dos festivais-cabeça porque estes já são muitos", afirma Maria. "Isso não significa que não montamos uma grade com produções que refletem sobre as temáticas contemporâneas que precisam ser discutidas."

Ela destaca que, por exemplo, Prima Facie e Um Dia Muito Especial abordam questões sociais relevantes. A disputa de poder é o tema central de Mary Stuart, de Denise Stoklos, enquanto a memória do teatro brasileiro é representada por Othon Bastos. A comédia ocupa um destaque com Dona Lola, solo protagonizado por Marcelo Medici, programado para domingo, 6, sobre uma mulher que de simples dona de casa se torna uma celebridade na internet.

Medici elogia a iniciativa, especialmente pela promoção de novas plateias, uma característica marcante de festivais das décadas de 1980 e 1990, como a Jornada Sesc de Teatro e aqueles realizados pela atriz e produtora Ruth Escobar em São Paulo. "Boa parte da minha formação eu devo a estes festivais, pois vi espetáculos memoráveis como Quando Despertarmos de Entre os Mortos, com o ator Joel Grey, dirigido por Bob Wilson, no Teatro Municipal", recorda Medici. "Além disso, os festivais costumam atrair públicos que não frequentam teatros com frequência; no meu caso, vou fazer Dona Lola no BTG Pactual Hall, na zona sul, depois de ter me apresentado em salas da região central."

Aniela Jordan e Maria Siman asseguram que os espectadores podem confiar em trabalhos de artistas menos conhecidos que estão na programação. Os solos Cabo Enrolado, com Júlio Lorosh, Prata da Casa, protagonizado por Felipe Frazão, Donatello, de Vitor Rocha, 1 Peça Cansada, de Natasha Corbelino, e Não Aprendi a Dizer a Deus, com Bárbara Salomé, são montagens que certamente merecem a atenção do público na Sala EMS ou na Arena B3. "O foco principal pode ser as grandes produções, mas precisamos investir em peças intimistas para que estes artistas tenham a oportunidade de crescer e alcancem o mainstream", justifica Maria.

Bastante reconhecida como filósofa, Viviane Mosé tem surpreendido a todos com o monólogo Um Sim à Vida, que participou do Festival de Teatro do Rio e poderá ser conferido no dia 25 no BTG Pactual Hall. Sob a direção de Lee Taylor, ela explora suas memórias pessoais entrelaçadas a conceitos da filosofia de Friedrich Nietzsche (1844-1900) e Arthur Schopenhauer (1788-1860), facilmente compreensíveis ao grande público. "Foi uma surpresa enorme ser convidada pelo festival, pois sei que a curadoria é muito criteriosa e o resultado no Rio foi excelente", comemora Viviane. "Meu trabalho é uma experimentação artística, não sou uma atriz clássica, mas sim uma artista provocadora, e acho que isso despertou o interesse da organização do festival."

Projeto da Prefeitura tem programação gratuita

Paralelamente ao Festival de Teatro de São Paulo, outro evento dedicado às artes cênicas está em andamento na cidade. O Projeto Palcos: SP, uma parceria do Instituto Alecrim com a Prefeitura de São Paulo, acontece entre esta quinta, dia 3, e 3 de outubro, com vinte apresentações gratuitas nos teatros Alfredo Mesquita (Santana), Arthur Azevedo (Mooca), Cacilda Becker (Lapa), João Caetano (Vila Clementino) e Paulo Eiró (Santo Amaro).

Entre os destaques do Projeto Palcos: SP estão as peças Prima Facie, que será apresentada no Teatro Paulo Eiró nos dias 5 e 6, Ficções, que ocupa o Alfredo Mesquita em 25 e 26, e Dona Lola, também no Alfredo Mesquita, no dia 27. O festival inclui ainda os solos de Débora Falabella, Vera Holtz e Marcelo Medici, além da peça A Última Entrevista de Marília Gabriela, com a atriz e apresentadora e seu filho, Theodoro Cochrane, nos dias 10 e 11 no Arthur Azevedo, e Lilia Cabral em Rita Lee - Balada da Louca no Teatro João Caetano nos dias 19 e 20.

Fique atento aos monólogos Inventário, de Érica Montanheiro, Tip - Antes que me Queimem eu Mesma me Atiro no Fogo, de Milla Fernandez, e Deixa Comigo, da atriz Iléa Ferraz. Duas das melhores peças vistas este ano na capital ganharão nova chance: Habitat, com Fernanda de Freitas, Rafael Primot e Rogério Brito, e Oleanna, com Velson D´Souza e Julianna Gerais.

Os fãs de um clássico recente, A Partilha, comédia de Miguel Falabella, terão a oportunidade de conhecer a versão estrelada por Iléa Ferraz, Adriana Lessa, Leticia Soares e Flávia dos Prazeres. Os ingressos para todas as atrações podem ser retirados na bilheteira dos teatros uma hora antes de cada sessão. Confira a programação no site oficial da prefeitura de São Paulo.

Festival de Teatro de São Paulo

- Onde: BTG Pactual Hall e Sala EMS. Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722, Santo Amaro. Arena B3. Praça Antônio Prado, 48, Centro. Teatro Youtube - Sala Eva Herz. Avenida Paulista, 2073.

- Quando: De 1º a 27 de setembro.

- Quanto: De R$ 10 a R$ 140.

- Programação: Consulte a programação completa em festivaldeteatrodesp.com.br.