CULTURA

Falece Glória Menezes, grande nome da teledramaturgia, aos 91 anos

Atriz pioneira na televisão brasileira morreu em sua residência no Rio de Janeiro.

Por Estadao Conteudo Publicado em 18/08/2026 às 17:54
Glória Menezes Reprodução / Instagram

Glória Menezes, uma das mais icônicas figuras da teledramaturgia brasileira, faleceu nesta terça-feira, 18, aos 91 anos. De acordo com comunicado divulgado pela família, a atriz morreu em sua casa, no Rio de Janeiro. A causa da morte não foi divulgada.

Na declaração, a família expressou: "É com profundo pesar que informamos que Nilcedes Soares de Magalhães, nossa Glória Menezes, faleceu nesta terça-feira, 18 de agosto de 2026, aos 91 anos, em casa, no Rio de Janeiro. Obrigada pelo carinho de todos, pelo respeito e compreensão de nossa dor neste momento".

Pioneira, Glória Menezes fez parte da primeira telenovela diária do Brasil, 2-5499 Ocupado, na qual contracenou com Tarcísio Meira (1935-2021), com quem se casou e formou um dos casais mais longínquos do showbiz nacional.

A artista destacou-se em diversos papéis ao longo da carreira, como a vilã Laurinha Figueroa, de Rainha da Sucata. Ela também integrou o elenco de O Pagador de Promessas, único filme brasileiro a ser premiado com a Palma de Ouro no Festival de Cannes.

A trajetória de Glória Menezes

Nascida em 1934 na cidade de Pelotas, no Rio Grande do Sul, Glória mudou-se para São Paulo ainda criança e cursou a Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo. Durante esse período, fundou o grupo de teatro amador Jovens Independentes, o que a impediu de concluir a faculdade.

Seu primeiro espetáculo aconteceu em 1959, ocasião em que venceu o prêmio de atriz revelação em um festival de teatro amador promovido pelo diretor Antunes Filho. No mesmo ano, entrou para a televisão, na TV Tupi, onde participou da novela Um Lugar Ao Sol, ao lado de Laura Cardoso e Henrique Martins.

Em 1962, Glória protagonizou O Pagador de Promessas, dirigido por Anselmo Duarte, o filme foi apresentado no Festival de Cannes e conquistou a Palma de Ouro, tornando-se até hoje o único filme brasileiro e sul-americano a receber tal prêmio.

No ano seguinte, protagonizou, juntamente com Tarcísio Meira e Lolita Rodrigues, a primeira novela diária da televisão brasileira, 2-5499 Ocupado, na TV Excelsior. Na mesma emissora, estrearam juntos A Deusa Vencida (1965) e Almas de Pedra (1966).

Após um ano, o casal transferiu-se para a TV Globo, onde conquistou o sucesso em novelas como Sangue e Areia (1967), escrita por Janete Clair, e Rosa Rebelde (1969). Também atuaram separadamente em produções como Passos dos Ventos, onde Glória fez par romântico com Carlos Alberto, enquanto Meira atuava em A Gata de Vison, ao lado de Yoná Magalhães.

Em Irmãos Coragem, também de Janete Clair, Glória interpretou uma mulher com três personalidades: a extravagante Diana, a recatada Lara e a equilibrada Márcia. A novela foi um sucesso de audiência, solidificando a carreira de Glória na TV carioca.

Na década de 1970, a atriz participou de produções como O Homem Que Deve Morrer, também de Janete Clair, que substituiu Irmãos Coragem, mais uma vez atuando ao lado de Tarcísio.

Outra novela em que Glória se destacou foi O Grito, exibida em 1975, escrita por Jorge Andrade, a qual retratava a vida caótica em São Paulo. Em 1979, mais um destaque: Glória deu vida a Ana Preta em Pai Herói, telenovela que contava com um elenco de peso, como Paulo Autran.

Nos anos 1980, estrelou em Corpo a Corpo e Brega e Chique, ao lado de Marília Pêra, com a participação do filho Tarcísio Filho. Também protagonizou Tarcísio & Glória, um seriado criado por Daniel Filho, Euclydes Marinho e Antonio Calmon.

No auge de sua carreira, em Rainha da Sucata, nos anos 1990, interpretou a famosa vilã Laurinha Figueiroa, em uma cena inesquecível onde comete suicídio ao pular de um prédio. Seguiu sua trajetória em novelas como A Próxima Vítima, Torre de Babel, Beijo do Vampiro, Senhora do Destino, Páginas da Vida e A Favorita. Nos palcos, destacou-se em Navalha na Carne (1981), de Plínio Marcos, e Jornada de um Poema, onde interpretou uma paciente terminal de câncer.