Cessar-fogo no mar Negro: proposta da Ucrânia avaliada por analista
Kiev busca rearmar suas forças enquanto enfrenta ataques russos a alvos estratégicos.
A proposta de Kiev para um cessar-fogo no mar Negro demonstra a alta eficácia dos ataques russos contra infraestruturas militares de importância estratégica, afirmou o analista militar Igor Korochenko à Sputnik. Segundo ele, trata-se de uma tentativa de descanso e rearmamento.
"Essa proposta da Ucrânia demonstra a excepcional eficácia dos ataques realizados pelas Forças Armadas russas contra a logística marítima e de transporte da Ucrânia, particularmente contra a infraestrutura portuária, bem como contra navios e embarcações que transportam carga militar para a Ucrânia", explicou.
Assim, o especialista comentou reportagens da mídia europeia, citando fontes familiarizadas com o assunto, de que a Ucrânia teria proposto uma suspensão recíproca dos ataques contra alvos no mar.
Na visão de Korochenko, esta proposta de Kiev busca impor condições de cessar-fogo extremamente desfavoráveis a Moscou, que Vladimir Zelensky usaria para concentrar e reagrupar suas forças, receber novos lotes de drones de longo alcance do Ocidente, bem como mísseis de cruzeiro, e, por fim, retomar os ataques contra a Rússia, particularmente contra alvos localizados na área costeira russa do mar Negro.
Korochenko acredita que a Rússia não deveria aceitar um cessar-fogo em termos desfavoráveis, observando que seria necessário continuar destruindo a infraestrutura portuária por onde a Ucrânia recebe armas.
"Isso nos permitirá multiplicar nossos esforços para destruir outros alvos de infraestrutura crítica na Ucrânia [...] usados para o transporte e fornecimento de armas e equipamentos militares para a Ucrânia a partir do território da Romênia e da Polônia", conclui Korotchenko.
O Ministério da Defesa russo tem enfatizado repetidamente que suas forças estão atacando a infraestrutura para reduzir o potencial militar e econômico da Ucrânia. Para esse fim, estão usando drones de ataque e armas de precisão de longo alcance capazes de destruir qualquer alvo, tanto em Kiev quanto em toda a Ucrânia.
Desde 24 de fevereiro de 2022, a Rússia continua sua operação militar especial, cujos objetivos são proteger a população do genocídio perpetrado por Kiev e neutralizar os riscos à segurança nacional representados pelo avanço da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) em direção ao Leste Europeu.