MÚSICA

BTS é considerado pelo 'The New York Times' o maior fenômeno musical desde Michael Jackson

Grupo sul-coreano não enviará álbum para discussão no Grammy 2027, gerando repercussão na indústria musical.

Por Estadao Conteudo Publicado em 11/08/2026 às 13:42
BTS Reprodução/Divulgação

O BTS ganhou destaque em uma análise publicada pelo jornal The New York Times após anunciar que não submeterá o álbum Arirang à disputa pelo Grammy Awards de 2027. O jornal classificou o grupo sul-coreano como "possivelmente a maior aparição musical do mundo desde Michael Jackson" ao discutir o impacto do septeto na indústria e a decisão de se retirar da premiação.

A manifestação acontece após a Recording Academy anunciar a criação da categoria Best Asian Pop Music Performance, que passará a ocupar trabalhos de pop asiático, incluindo K-pop, J-pop e C-pop.

A medida foi recebida com críticas por parte de fãs e observadores da indústria, que questionam se a divisão por origem e idioma pode acabar excluindo artistas asiáticos das principais categorias do Grammy.

Por que o BTS ficou fora do Grammy?

Os sete membros anunciaram simultaneamente, em suas redes sociais, que não enviariam músicas para avaliação na próxima edição da premiação. No comunicado, o grupo afirmou: “Esperamos que a música possa ser ouvida e amada pelo que é, em vez de ser dividida por região ou idioma”.

Embora o BTS não tenha sido relatado diretamente a nova categoria como motivo da decisão, o anúncio ocorreu pouco depois da mudança nas categorias do Grammy e foi amplamente interpretado como uma consequência à criação do prêmio de pop asiático.

A Recording Academy, por sua vez, afirma que a novidade tem como objetivo considerar a expansão e a diversidade da música produzida na Ásia, e não impede que esses artistas concorram nas categorias gerais.

O grupo já possui um histórico de participação na premiação. O BTS se tornou o primeiro grupo de K-pop indicado ao Grammy, em 2019, e acumulou periodicidade em diferentes categorias, mas nunca ganhou o prêmio.

Comparação com Michael Jackson

É justamente nesse contexto que o New York Times amplia a discussão para além do Grammy. O artigo compara a trajetória do BTS com a de Michael Jackson e argumenta que ambos enfrentaram obstáculos relacionados à forma como a indústria define quem poderia ocupar o centro do mercado pop.

O jornal relembra que Off the Wall , lançado por Jackson em 1979, ficou fora das principais categorias do Grammy em 1980. A publicação também cita a resistência que os artistas negros encontraram para conquistar espaço em veículos e plataformas que tinham grande influência sobre o mercado americano.

Para o jornal, o BTS possui atualmente uma influência capaz de colocar em xeque essas estruturas.

Afinal, o que é considerado pop?

Mais do que discutir uma categoria específica, o texto questiona os critérios utilizados pela indústria para definir o que pode ser considerado música pop. O New York Times argumenta que o gênero não possui características musicais e que estilos diferentes podem assumir o rótulo de pop quando conquistam o grande público.

O artigo também abordou o histórico de separação racial e mercadológica da indústria fonográfica americana. Segundo a análise, os artistas negros eram frequentemente afastados dos espaços classificados como mainstream, mesmo quando produziam músicas semelhantes às de artistas brancos que eram aceitas no mercado pop.

A questão central seria entender se as classificações baseadas na origem, idioma ou identidade cultural podem limitar o acesso de determinados artistas ao mercado mais amplo.

Taylor Swift entra na discussão

A comparação com Michael Jackson também gerou repercussão entre fãs de outros grandes nomes da música atual, especialmente de Taylor Swift . Parte dos admiradores da cantora questionou a ausência dela na análise do New York Times sobre os maiores espectadores da música contemporânea.

A discussão nas redes sociais contrapôs diferentes formas de medir impacto na indústria: de um lado, os números comerciais, vendas, turnês e alcance de Taylor; de outro, a influência internacional do BTS e o papel do grupo na expansão do k-pop para além do mercado asiático.

A publicação, entretanto, não apresentou comparação como um ranking formal entre artistas. O objetivo do artigo foi utilizar a trajetória de Michael Jackson como referência histórica para discutir o tamanho do impacto do BTS e sua capacidade de desafiar estruturas estruturais na indústria musical.