Richard Scofano amplia possibilidades do bandoneón em obra marcada por memória e luto
Argentino radicado nos Estados Unidos, o compositor e intérprete Richard Scofano dedica-se há 40 anos à criação de obras de música clássica contemporânea. Seu trabalho é marcado por uma linguagem musical refinada e profundamente expressiva, que aborda temas como memória, perda, introspecção, paz e tranquilidade.
As composições são conduzidas pelo timbre singular do bandoneón, instrumento que aparece em diálogo com diferentes formações de câmara e orquestrais.
Em 2025, Scofano foi indicado ao Latin GRAMMY na categoria Melhor Álbum de Tango pelo projeto “Shin-Urayasu”, gravado em parceria com Alfredo Minetti. Desde então, o músico continua ampliando o papel do bandoneón para além de seus contextos tradicionais.
Em suas obras, o instrumento é apresentado como solista lírico e de forte presença, tanto na música orquestral contemporânea quanto em conjuntos de câmara.
Entre os trabalhos mais recentes do compositor está “Adagio de las Tres y Diez”, lançado no dia 15 de maio. A obra foi escrita para bandoneón e orquestra de cordas e se desenvolve como uma meditação profundamente pessoal, construída por meio de texturas sutis e intenso lirismo.
Em constante evolução como compositor e intérprete, Scofano procura levar aos palcos performances íntimas, emotivas e expressivas, proporcionando ao público uma experiência musical de rara intensidade.
Essa proposta pode ser percebida em “Adagio de las Tres y Diez”, composição que percorre o caminho sombrio do luto em memória de uma pessoa amada que morreu.
“Do murmúrio dolente do violoncelo — instrumento que seu pai tanto estimava — a música atravessa passagens que evocam a dor crua da perda e os frágeis ajustes impostos por um mundo para sempre transformado”, explica o músico.
Richard Scofano também assina a produção da faixa ao lado de José Domenech, Eduardo Martínez Plana, Sole Centurion e Alfredo Minetti.