"A Odisseia", de Nolan, domina as bilheterias com uma estreia global de US$ 264,1 milhões
NOVA YORK (AP) — “The Odyssey”, de Christopher Nolan, estreou com uma arrecadação estimada de US$ 124,5 milhões nas bilheterias domésticas e outros US$ 139,6 milhões no exterior, registrando uma estreia ainda melhor que a de “Oppenheimer” e marcando a melhor abertura do cineasta desde “Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge”, de 2012.
Nolan demonstrou sua força singular nas bilheterias com uma estreia global como nenhuma outra. Poucos cineastas em atividade conseguiriam realizar uma adaptação estrelada e de grande orçamento do poema épico de Homero. Mas, em uma Hollywood onde os direitos de propriedade intelectual dominam a maioria dos grandes sucessos, Nolan transformou uma das obras literárias mais antigas do mundo em um improvável blockbuster de verão.
A produção da Universal não foi uma aposta pequena em Nolan, que vinha do vencedor do Oscar de melhor filme de 2023, “Oppenheimer”. Com orçamento de produção de US$ 250 milhões, o longa está entre os filmes com classificação indicativa R mais caros já feitos. A Universal está gastando cerca de US$ 125 milhões em sua divulgação.
Mas nenhum nome por trás das câmeras leva mais público aos cinemas do que Nolan. A expectativa por “The Odyssey” era tão grande que a IMAX colocou ingressos à venda para algumas sessões em 70 mm com um ano inteiro de antecedência. Para atender à demanda extraordinária pelo formato preferido de Nolan, o IMAX 70 mm, alguns cinemas adicionaram sessões à meia-noite e às 3h da manhã — e esgotaram todas.
Divulgado como o primeiro longa de Nolan filmado inteiramente com câmeras IMAX, o formato impulsionou uma enorme fatia da venda de ingressos. Isso incluiu US$ 29,6 milhões no mercado doméstico em IMAX e US$ 51,8 milhões globalmente, levando ao melhor fim de semana da história da empresa. A IMAX dedicará suas telas inteiramente a “The Odyssey” por três semanas. Embora apenas 41 telas IMAX possam exibir “The Odyssey” em 70 mm, elas responderam por US$ 6,3 milhões em bilheteria.
Desde a pandemia, Nolan tem estado na linha de frente da retomada dos cinemas. Seu filme “Tenet” foi um dos primeiros grandes lançamentos a voltar às salas em 2020. Três anos depois, “Oppenheimer” e “Barbie”, de Greta Gerwig, se combinaram para criar, possivelmente, o momento mais marcante do cinema na década. “Oppenheimer” acabou arrecadando US$ 975 milhões em todo o mundo.
“The Odyssey” chegou aos cinemas durante o melhor verão de Hollywood desde 2019. As vendas de ingressos estão cerca de 10% acima do ano passado, segundo a Rentrak. A indústria espera o primeiro ano com US$ 10 bilhões de bilheteria doméstica desde a pandemia.
A única dúvida sobre “The Odyssey” será o quanto sua bilheteria ficará concentrada no fim de semana de estreia, considerando que muitos espectadores já tinham marcado essa data no calendário havia meses. O filme não enfrentou concorrência de novos lançamentos no fim de semana e também não enfrentará no próximo. A IMAX afirmou que as pré-vendas para o segundo fim de semana do filme ficariam entre as 10 melhores da empresa, prova de que muitos espectadores estão esperando para ver o longa em seu formato preferido.
O próximo filme a representar alguma concorrência, ironicamente, também é estrelado por Tom Holland e Zendaya: “Spider-Man: Brand New Day”, da Sony, em 31 de julho.
“The Odyssey” traz Matt Damon como Odisseu e conta com Holland como seu filho, Telêmaco; Anne Hathaway como Penélope; Zendaya como Atena; Robert Pattinson como o pretendente Antínoo; e Charlize Theron como a ninfa do mar Calipso.
A escalação do elenco de “The Odyssey” por Nolan, incluindo Lupita Nyong’o como Helena e Elliot Page como um soldado, foi alvo de controvérsia entre alguns comentaristas conservadores. Elon Musk chamou Nolan de “covarde” por causa da escalação de Nyong’o.
Mas essa crítica teve pouco ou nenhum efeito sobre “The Odyssey” se tornar um dos grandes eventos culturais do ano nas telonas. As críticas, com 95% de aprovação no Rotten Tomatoes, estão entre as melhores da carreira de Nolan. O público deu ao filme nota “A” no CinemaScore.