LITERATURA

Jornalista Plácido Berci estreia na ficção com suspense psicológico

Inspirado na história do pai do autor, o livro "Louca normalidade" cruza saúde mental, luto e investigação policial no Rio de Janeiro.

Por Redação com Assessoria Publicado em 02/07/2026 às 14:28
Plácido Berci Divulgação

O universo do jornalismo investigativo e os mistérios da mente humana encontram-se na estreia literária de ficção do repórter e apresentador esportivo Plácido Berci. Conhecido do público por sua atuação nas telas da TV Globo em São Paulo, o escritor lança o romance livro Louca normalidade Plácido Berci, publicado sob o selo da Editora Mondru. A obra constrói um suspense psicológico denso, utilizando elementos do gênero thriller para lançar luz sobre temas complexos como o luto, as dinâmicas familiares e o preconceito social que cerca os indivíduos com transtornos psiquiátricos.

O enredo acompanha a trajetória de Francisco Solano, um experiente jornalista investigativo aposentado que convive com um quadro psiquiátrico inconclusivo. Após sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC), o protagonista passa a depender do hábito obsessivo de registrar seus cotidianos em blocos de notas para evitar o apagamento de suas memórias.

A calmaria de sua rotina é rompida quando ele desperta diante de uma anotação enigmática em seus papéis, contendo uma sequência confusa de letras, números, a menção a uma praia e a uma mulher misteriosa. Isolado em um apartamento, Solano inicia uma investigação solitária para decifrar se o registro é a chave de um crime real ou uma peça pregada por sua mente fragilizada.

Inspiração paterna e o processo de luto

A gênese do romance carrega um forte componente biográfico. Plácido Berci iniciou o desenvolvimento do projeto em 2018, estruturando o comportamento e as manias de Francisco Solano com base na observação direta de seu próprio pai, Pedro Berci Filho, que desenvolveu o hábito de anotar tudo em cadernos após sofrer um AVC.

O falecimento do pai no decorrer do processo de escrita transformou a produção do livro em um mecanismo de elaboração do luto familiar. "É uma narrativa centrada em processos de reflexão, aceitação e libertação. O personagem principal herda as características físicas e a personalidade do meu pai. A escrita funcionou como um canal para processar a saudade e filosofar sobre a brevidade da vida", revela o autor, que levou sete anos entre o primeiro rascunho e a publicação final.

Potencial visual e referências estéticas

A arquitetura narrativa de Louca normalidade adota uma estrutura cinematográfica, alternando a narrativa clássica em terceira pessoa com os recortes íntimos das anotações em primeira pessoa do protagonista. O estilo dialoga de forma direta com o suspense psicológico de diretores consagrados como Alfred Hitchcock e Martin Scorsese, além de herdar traços da literatura contemporânea de autores nacionais como Daniel Galera e Raphael Montes.

A riqueza de detalhes na composição dos cenários de um Rio de Janeiro decadente e colapsado sob a ótica de Solano já desperta o interesse do mercado audiovisual para futuras adaptações no formato de longa-metragem ou minissérie de streaming. O título marca uma virada na carreira de Berci, que após publicar relatos de suas experiências internacionais como correspondente na Inglaterra e no Quênia, consolida-se como uma nova voz a ser observada na ficção literária brasileira.