CINEMA

Armie Hammer assume responsabilidade por crise na carreira após polêmicas

Ator falou à The Hollywood Reporter sobre acusações, afastamento de Hollywood e retorno a filmes de baixo orçamento

Por Estadao Conteudo Publicado em 16/06/2026 às 17:56
Armie Hammer Reprodução / Instagram

Após alguns anos longe dos holofotes, Armie Hammer comentou sua trajetória recente, as polêmicas envolvendo seu nome e o cancelamento em Hollywood. “Eu criei esses problemas para mim mesmo”, afirmou o ator em entrevista à revista The Hollywood Reporter.

Hammer interpretou os gêmeos Winklevoss em A Rede Social e atuou em O Cavaleiro Solitário. A projeção maior veio em 2017, quando estrelou Me Chame Pelo Seu Nome ao lado de Timothée Chalamet.

Ao falar sobre o período de maior visibilidade, o ator disse que se via como um “consumidor”. “Bebidas, mulheres, validação, experiências — eu só queria consumir. Tudo. Mais, mais e mais”, declarou.

Em 2021, a carreira de Armie Hammer entrou em crise após mensagens atribuídas a ele circularem na internet com descrições de fantasias sexuais e canibais explícitas. Uma mulher com quem ele manteve um caso extraconjugal de quatro anos, enquanto ainda era casado com Elizabeth Chambers, o acusou de estupro. Outras duas mulheres fizeram denúncias semelhantes. O caso, porém, não foi processado pela justiça norte-americana, e o ator negou as acusações.

“Isso não aconteceu comigo por acaso. Eu não fiz o que as pessoas estão dizendo que eu fiz. Mas eu trouxe pessoas muito perigosas e inseguras para a minha vida, e irritei algumas pessoas na minha vida — e aqui estamos nós”, disse.

Na entrevista ao repórter Seth Abramovitch, Hammer relatou o caos provocado pelo escândalo, incluindo divulgação de informações pessoais, números de telefone e cerco público. Ele não apontou um responsável específico, mas reconheceu que sua imagem pública ainda representa um obstáculo difícil de superar.

Segundo o ator, agentes e assessor de imprensa deixaram de representá-lo. Durante o período de cancelamento, amigos que enviaram mensagens privadas de apoio também foram alvo de ataques na internet e tiveram dados pessoais divulgados.

“Houve um período em que eu lia obsessivamente o que as pessoas estavam dizendo”, afirmou. “Percebi que eu podia simplesmente me concentrar em mim mesmo, nos meus filhos, em me manter saudável e em crescer como pessoa.”

Hammer disse ter chegado à conclusão, por meio de leituras de autoajuda, desespero e tempo, de que a aceitação era a única estratégia possível. “Aquilo a que você resiste persiste. Aquilo a que você aceita se transforma”, afirmou, recitando um mantra.

Retorno aos cinemas

Em 2024, Hammer voltou para Los Angeles após passar um período em Veneza e nas Ilhas Cayman com o pai. Um ano e meio depois, recebeu um e-mail do cineasta alemão Uwe Boll com convite para participar de um filme. “Tenho quase certeza de que chorei”, disse. “Eu teria feito até um comercial de ração para gatos. Eu só queria trabalhar de novo.”

O filme se chama Citizen Vigilante e, segundo a matéria, tem enfrentado dificuldades de distribuição por causa de conteúdo supostamente racista. Desde então, Hammer participou de mais três filmes, todos de baixo orçamento.

A estrutura profissional do ator também mudou. Ele está sem agentes, empresário ou assessor de imprensa pessoal. De acordo com Hammer, quem deseja contratá-lo pode acessar o IMDb Pro e encontrar o contato de seu advogado. “Ultimamente, no primeiro dia de filmagem, sempre dizem: Não acreditamos que conseguimos que você fizesse isso. E eu respondo: Minha agenda estava bem livre.”

Ao refletir sobre sua vida antes das controvérsias, o ator afirmou: “Eu me lembro do estado emocional e mental em que eu estava antes de tudo acontecer. Pessoas saudáveis não agem como eu agia.”