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'Futuro dos festivais não será só line-up', diz head do Planeta Atlântida

Especialistas destacam que pertencimento, comunidade e conexão humana definem o novo rumo dos grandes eventos de música.

Publicado em 15/05/2026 às 13:54
Caroline Torma Reprodução / Instagram

O futuro dos festivais de música está diretamente ligado ao sentimento de pertencimento, segundo Caroline Torma, head do Planeta Atlântida e diretora-executiva de marketing e entretenimento no Grupo RBS, e Mario Sergio Albuquerque, diretor de festival no Tomorrowland Brasil. Ambos participaram do painel Muito Além do Palco: Branding, Cultura e Pertencimento em Festivais de Música , durante o São Paulo Innovation Week (SPIW), evento realizado em parceria entre o Estadão e a Base Eventos.

No painel, Caroline e Mario apresentaram dados que evidenciaram o senso de comunidade construído pelos dois festivais — enquanto o Tomorrowland tem impacto global, o Planeta Atlântida é parte fundamental da história cultural do Rio Grande do Sul. O Tomorrowland Brasil, sediado em Itu (SP), oferece até hospedagem em barracas para o público, enquanto o Planeta Atlântida chega à sua 30ª edição na praia de Atlântida, em Xangri-Lá (RS).

Identidade cultural e conexão emocional

De acordo com Caroline, mais de 90% do público do festival gaúcho é do próprio estado, e oito em cada dez gaúchos compartilham o evento parte da identidade cultural local. “O mundo nunca esteve tão conectado e talvez nunca tenha estado tão solitário”, afirmou. "Em um mundo onde a atenção virou mercadoria, a conexão emocional é um diferencial." Para ela, “o futuro dos festivais não será definido apenas pelo line-up, mas sim por pertencimento, comunidade, verdade e conexão humana”.

Comunidade e experiências além do palco

O Tomorrowland é citado como exemplo de festival que construiu uma comunidade sólida: há fãs que tatuaram o símbolo do evento. Segundo Mario Sergio Albuquerque, a experiência vai além da música. O festival possui uma marca de mobiliário inspirada em seus palcos, velas com a característica característica do evento e até livros de ficção baseados em seu universo. “Mantemos a marca conectada inclusive com pessoas que ainda não têm idade para participar do festival”, destacou.

Mário explicou que parte dessas iniciativas ainda não foi rompida no Brasil por questões estratégicas, mas o objetivo é trazer cerca de 70% dessas operações para o país. Ele anunciou que, no próximo ano, o Tomorrowland Academy — plataforma educacional oficial do festival, com cursos para DJs e produções musicais — será lançado no Brasil.

Em 2027, o festival alterou sua data para o final de abril devido a um incêndio que atingiu o palco principal na Bélgica no ano passado. O palco, símbolo do evento, é transportado em 110 contêineres pelo mundo, garantindo a mesma experiência em todas as edições.

Segundo Mario, o Tomorrowland é o festival com maior engajamento nas redes sociais globalmente — na Bélgica, rivaliza até com o Grande Prêmio de Fórmula 1 do país. “O Tomorrowland, de certa forma, é a porta de entrada para a música eletrônica de muitos fãs”, ressaltou.

Sobre a Semana de Inovação de São Paulo

O São Paulo Innovation Week é considerado o maior festival global de tecnologia e inovação, realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na FAAP, até esta sexta-feira, dia 15. O evento reúne mais de 2 mil palestrantes nacionais e internacionais, abordando temas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia.